quinta-feira

A Cidade que me fez procurar

Hoje é o meu penúltimo dia de trabalho nos estudos de audiências e afins, sinto-me cansada e sugada dentro desta máquina! Apetece-me inactivar isto tudo.
Espero amanhã ser invadida pela excitação de não fazer nada, ter todo o tempo do mundo para mim e algum dinheiro no bolso.
Nos entretantos, mudanças e caixas, e declarações disto e daquilo e despedidas e o que andei a adiar: o até já à cidade que durante 6 anos me acolheu, uns dias tratou-me melhor que outros. Roubou-me energia e desfez-me ilusões, mas deu-me amigos, sítios especiais, vistas deslumbrantes, noites amenas e dias escaldantes.
Dias e noites que me vai continuar a dar, sempre que voltar sei que tenho um lugar na sua dinâmica e loucura, sei o que mais gosto nela, o que me faz sentir daqui. Reconheço a calma dos degraus de Alfama, a vista do Castelo, o jardim zoológico que é o Adamastor, a calma do rio e a luminiosidade aflitiva do estuário do Tejo, conheço os segredos que encerra Monsanto, a animação dos Santos Populares, os dias cinzentos de Inverno e os perigos da calçada portuguesa num dia de chuva, os recantos e tascas do Bairro Alto (sim, porque o que de melhor o bairro tem não são as suas lojas caras e falsamente cosmopolitas, mas sim os seus tasqueiros rudes e gentes desconfiadas. O Bairro não é um centro comercial!). As homenagens feitas à estátua, os jardins e miradouros que se debruçam no rio como quem quer ir mais longe, ver mais do que a vista alcança.
Vou inactivar o lar!

quarta-feira

Olhos que não vêem coração que não sente!
Dizia-me um possível participante no estudo de audiências que esta coisa de ter um programa instalado no computador com o seu conhecimento é um bocado chato, até é melhor quando não fazemos a mínima ideia do que se passa. Assim como assim, olhos que não vêem, coração que não sente!
Uma lógica que não consegui entender e que nem tentei explorar muito, apesar de a minha função ser exactamente a oposta, tentar perceber e convencer as pessoas a instalarem a dita aplicação.
Até me rio de vez em quando com as justificações que dou para que colaborem, mas uma resposta deste calibre deixa-me sem acção ou argumento que cole. Mais, com argumentos como estes nem eu quero participar em nada ou então, e senão me tivesse despedido no início do mês, seria agora.
No outro dia dizia uma senhora que sabe sim senhora que o filho instalou o programa no pc lá de casa e que sim senhora, se assinala correctamente na caixa dos "navegantes" e que segue isso como uma religião. Palavra puxa palavra e percebi que a senhora nem sabia porque fazia aquilo.
Cá para mim, se fosse parar à ilha do Lost seria o Locke lá do sítio. Inserir uns números num pc, sem saber porquê.
Ora, esta senhora punha o visto à frente do nome sem fazer a mais pálida ideia do que se trata e depois ainda me contou que tinha falado com o filho para saber se é realmente verdade que se se aceder a uns sites várias vezes por dia, é paga por isso. Pois, pensa a senhora que andam ai umas empresas (de confiança, portanto) que dão dinheiro a troco de clicks e visitas aos respectivos sites.
A banha da cobra, que pelos vistos, nem precisa de grande engenho oratório dos respectivos "trojões", já que as pessoas e na procura do lucro fácil, se deixam enganar e se enganam a si próprias, ou seja, já vão enganadas e convencidas e bem, pelas pessoas que melhor nos enganam, nós "los outros"!
Abençoado aquele que se lembrou das audiências e estatísticas, pois sem esta brilhante ideia não teria trabalho. Big up para o que de seguida, logo logo, logo achou que o telemarketing é que era!!

segunda-feira

Dizia aqui uma colega que as esteticistas do painel têm tendência a serem casadas com os camionistas!
Penso eu para os meus botões: que misturada, ela sempre impecável e loura, as unhas feitas, os sapatos da Seaside, as cores berrantes e alegres, tipo cor de rosas, verdes alfaces, as gangas com aspecto usado, por vezes as raízes um bocado aldrabadas e ele...o rei da autoestrada e qualquer itinerário secundário ou ponte deste mundo, barriguinha, camisa ao quadrados ou então a bela da camisola branca e as calças de ganga com o cinto a segurar o estômago saliente, aquelas conversas.
Ela delicada e ele um bruto à primeira vista, ela preocupada com os arranjos e as depilações e as fofoquices e ele o maior adepto da selecção, da mini e do prato de couratos!! Na volta até combina.
Ao pé de casa dos meus pais, mesmo em frente ao Porto de Leixões era comum quando era miúda dar de caras com os camionistas que frquentávam a tasca onde o meu pai toma café e onde tantas vezes lhe fui comprar cigarros. Ainda existe, a tasca do senhor Ribeiro, um tipo simpático que vende um vinho lá das suas propriedades fresquinho e bebível. Um senhor bem simpático e cómico q.b. Sempre cheio de camionistas, daqueles barrigudos e ordinários a cheirarem a camião.
Não tenho boas recordações do espécime. Estar na paragem de autocarro, qualquer que fosse, ali ao pé do Porto, sempre foi uma chatice. Lá passavam os camionistas, "óh boa! óh riqueza", mesmo eu não sendo uma top model e muito menos quando era adolescente. Sinais de luzes, buzinadelas, piscadas de olho. Fuck, chatos de merda. Os camiões mal estacionados, mesmo em cima das curvas ou à frente da paragem do bus. Muitas vezes perdi o autocarro para a escola porque não o vi lá ao fundo e porquê? Os camiões dos camionistas que estávam na tasca do Ribeiro a beber mais um mini não me deixávam perceber se o bus estáva a chegar, claro que quando, acelarradissímos passávam na minha paragem, nem me viam. Lá ficáva eu mais não sei quanto tempo a levar com os camionistas e à espera do autocarro.
As esteticistas? Pois, acho que são umas senhoras perversas e que noutra vida torturaram gente por esse mundo fora. É verdade que recorro aos seus préstimos, mas acho que nunca o conseguiria ser. Passar o dia a arrancar os pêlos das clientes com a cera quente, fazer o buço, usar a pinça, as bandas, as virilhas ... só de pensar fico aterrorizada. Sinceramente nem sei como lá consigo ir, aliás, acho que se contínuo a descorrer sobre o tema nunca mais lá ponho os pés. E o que me faz mais impressão são as esteticistas que arrancam os pêlos a si próprias.
Tive uma que pedia ao filho para lhe fazer a depilação, coitado do rapaz. Não me parece que seja uma actividade própria para um rebento. Acho que não faria a depilação à minha mãe, pêlos encravados, aplicação da cera em locais poucos ortodoxos...
Acho também, e depois de anos a fazer depilação, que as esteticistas não são boas da cabeça, tenho sempre impressão de uma mulher possessa a tirar pêlos com conversas que não lembram ao diabo. Aliás, a minha penúltima, era de fugir, desbragada e vulgar, ordinária que baste. Esta era a que pedia ao filho para lhe fazer o serviçinho, tinha conversas sinistras ao telefone com as amigas à minha frente, não é que me choque, mas pensei muitas vezes, enquanto estáva deitada na marquesa pronta para a matança: Por que raio preciso eu de saber que a senhora tem um vibrador ou que a amiga lhe quer dar um ou que a minha esteticista é uma louca!
As conversas dos camionistas pelo que me lembro não eram muito diferentes, se calhar estão mesmos bons uns para os outros e a minha colega até tem razão, os camionistas casam com esteticistas!

sexta-feira

E fui ver o que é a Fé "(...)é o mesmo que acreditar ou confiar; por algum motivo geral ou pessoal, por alguma razão específica ou mesmo sem razão bem definida, com ou sem evidências físicas" e depois vi e absorvi o que é a Força "força (F) é o único agente do Universo capaz de alterar o estado de repouso ou de movimento de um corpo" e esta é uma definição que pertence à Física e no entanto foi a que mais se apropriou ao que quero perceber do que é a Força que me governa.
Do vazio ou esticar a corda até ao fim.
Demorei horas a vestir-me, quando escolhi, escolhi uma saia leve e branca com um top de cores veraneantes e alegres e fui novamente à luta. Novamente sentei-me à frente de pessoas que não conheço de lado nenhum e que querem saber tudo sobre a minha vida (poucos fazem perguntas pessoais, de qualquer forma, são sempre relacionadas comigo e indirectamente acabam por saber mais do que gostaria de contar).
De um bar no Cais de Sodré ao escritório claro e agressivo da Av. 5 de Outubro, locais diferentes, habitados por gente tão diversa, as perguntas são sempre as mesmas; a minha motivação, a minha experiência, as minhas ambições a curto e médio prazo, o que gosto de fazer(?)...Nesta pergunta não consegui responder de forma totalmente sincera nas duas conversinhas. Já não sei responder, o querem que vos diga!
Gosto de não fazer nada disto, de procurar empregos que não me satisfazem, sim, gostaria de escrever todos os dias, gostaria de ter um emprego num jornal ou numa rádio, queria ser jornalista, mas lamento, não me lembro disso, especialmente quando estou na 500ª entrevista e me sinto sugada até ao tutano pela vossa curiosidade vampiresca, porque me esqueci de sonhar nestes meses largos que andei à procura de um caminho menos doloroso, um caminho onde o sol brilha mais e ganha às nuvens negras que se abatem sobre todos nós.
Sou eu que precisam, sou eu que vou marcar a diferença, sou eu que vou ser a funcionária ideal, blá, blá, blá! Rigorosa e dedicada, polivalente, flexível e motivada...para trabalhar até às quinhentas por tostão furado, motivada e polivalente para vos ver a encherem-se de dinheiro e mesmo assim serem uns tristes e desgraçados viciados no trabalho, flexível para poder aturar de cara alegre o mau humor e problemas emocionais de chefes menos simpáticos. Sim...pode ser, senão como vou ganhar o que me permite viver e esquecer que 5 dias por semana vos tenho que aturar!
As entrevistas, os processos de selecção, as perguntas, os currículos, o falso interesse, as salas impessoais, as empresas, as associações, as lojas, os callcenters, os quiosques, as publicações, as promessas de vida melhor e desafogada...tudo isto já me cansa!!
Porém, sabendo eu disto tudo, do que me faz sofrer as quinhentas portas que se me fecharam, as experiências menos boas, as noites mal dormidas e de agitação, as insónias e as horas excessivas de trabalho precário e pouco satisfatório e depois de ter no meu cérebro um mapa exacto de como é o mercado de trabalho e do que normalmente têm para me oferecer, não desisto.
E este impulso é tão incontrolável que todos os dias tenho a mesma rotina, verifico as páginas de emprego, envio currículos, respondo a emails, faço pesquisas e quando atendo os telefonemas, depois de ter enviado radiografias completas da minha vontade e força de ser mais do que sou, acredito como se fosse a primeira vez, de que é desta que irei começar, é desta que deixo os trabalhos mal pagos e inúteis que em nada me estimulam, acredito que vou conseguir um dia fazer alguma coisa que me torne mais realizada.
E quando saio de lá, daqueles enormes edifícios de escritórios, de salas refrescadas pelo ar condicionado e das pessoas com ar sisudo e distante como se esse fosse sinónimo de competência, a sensação é sempre a mesma. A de vazio, brutal, abismal, o nada ecoa dentro do meu peito, de tal forma é forte que não me deixa respirar.
E se amanhã me telefonarem para outra entrevista, se me solicitarem a exposição novamente...eu vou e acredito que um dia será o meu. Talvez esta força seja fé, talvez seja instinto de sobrevivência, mas acreditasse eu nesta força sobrehumana que me faz caminhar pela cidade de entrevista em entrevista, em todas as situações da minha vida e tudo seria bem melhor.
Acreditasse eu todos os dias que o Mundo pertençe aos que tentam, os que têm força e não a deixasse fugir quando me exponho e talvez não me sentisse tão vazia de ambições e sonhos. Sempre com uma fatiota leve e fresca.

terça-feira

Sean faz-me um filho!
Ontem fui ver o Sean Paul, foi o meu segundo concerto do moço e caramba que seca descomunal. O gajo deve ser um egocêntrico do pior que há, além de passar o concerto todo a mexer e remexer languidamente as ancas, passou o tempo todo de óculos de sol e a gritar pelas ladies de Portugale(sim, com a bela da pronúncia italiana).
Parece que imagino aquele gajo no quarto com a lady...ele a olhar para o espelho a gritar "all my ladies", possesso e de óculos de sol e ela a chamar por ele, o Sean Paul nada, I´m going lady, mais um bocadinho a olhar para o espelho. Como sou bom, mais uma linha de coca. "Ladies", au, au, au.
Gajo com um ego tão grande deverá certamente ser uma merda na cama. Imagino espelhos no tecto do quarto só para controlar egocentricamente a performance. Aquele papel de sex-symbol não é nada credível, tem ar de palhaço e só já deve saber viver na passadeira vermelha.
Desconfio de tanta languidês. Como dança sempre com as ancas para fora e se rebola todo, ao andar normalmente tem postura de troglodita, nada sensual. Além disso, é caprichoso, manda tudo para o chão. O Sean Paul não me convence!
Senti-me numa plateia da MTV, imensa gente de câmara e telemóvel na mão apontados para o palco, fotografias no meio do público, gritos histéricos e cartazes a pedir danças particulares com o Sean. Esqueçam, ele só sabe gritar ladies! E o melhor de tudo, vozes femininas e palmas gravadas.
Se existir uma próxima vez levo um cartaz a pedir para o Sean me fazer um filho e já me sentirei menos deslocada da plateia, até lá, risquei o Sean da minha lista dos gajos bons ou para não exagerar, os gajos aceitavelmente giros!

sexta-feira

Amanhã vou assistir a um enlace curioso. Duas pessoas que estando compremetidas uma com a outra há muito, fazem questão de afirmar passado tanto tempo de vida conjunta que ainda se querem.
O casamento é um acto sério e que requer reflexão, no entanto parece-me o fortalecer de uma vida em conjunto e de um amor vivo, que ultrapassa com mais ou menos escaramuças, o passar dos dias. E este está forte e recomenda-se, espero seguir-lhes o exemplo.
Vivam os noivos!!

quarta-feira

Futilidades
Que raio de inquérito o que está hoje no Publico.pt: "Quem é o principal responsável pela crise em Timor-Leste?". As hipóteses de resposta vão desde a Igreja, à Austrália, passando pelo Xanana, o ex-Primeiro Ministro ou a ONU. Os leitores acham que é o Alkatiri e a Austrália.
Como se desse para se por as coisas nesses termos, além de que só se ouve falar de Timor quando há mortos e feridos, sendo o resto da temporada dedicada à ausência de notícias. Enfim, ainda "dizem" que o Público é um jornal de referência, a mim parece-me mais uma publicação de segunda que acha que a melhor maneira de esclarecer os leitores é fazendo estes belos inquéritos on-line.
Claro que servem para chamar os cibernautas e tal (não consigo arranjar outra vantagem para a existência destas sondagenzitas), além de darem uma sensação que desconheço, mas advinho de qualquer tipo de poder ou gratificação pessoal ao leitor. Baralha-me a existência destas futilidades jornalísticas. Ainda por cima na ficha técnica o Público refere que este inquérito não tem qualquer tipo de credibilidade científica, servindo apenas para perceber as preferências dos leitores. Então para quê gastar espaço e preocupação como uma coisa que efectivamente não serve para nada.
Será que o Público vai passar a referir Timor depois e se sair desta crise só porque os leitores "preferem" culpar este ou aquele ou os resultados obtidos lhes dá legitimidade para tomarem uma posição perante a situação em Timor? (O que originará um belo e apaixonado texto do mediático José Manuel Fernandes? Não me parece que seja preciso, o senhor já o deve ter escrito e publicado há muito tempo).
Portanto, 529 cibernautas que votaram preferem o Alkitiri, de seguida a Austrália. Até percebo a segunda opção, também prefiro a Austrália ao ex-Primeiro Ministro timorense.
Assim, proponho aos senhores do Público que a próxima sondagem/inquérito sem qualquer fundamento científico e razão de ser seja qualquer coisa como "Gostas mais do Paizinho ou da Mãezinha?". Assim como assim não interessa nada e não, o fundamento é nulo e a importância também.

terça-feira

Pois, então os EUA andaram para aí a transportar alegados terroristas de prisão em prisão secreta pelo mundo e utilizaram recursos e ajuda de vários países europeus. Maior parte destes países vínculados, tal como os EUA a tratados e diplomas que têm por objectivo acabar com as detenções ilegais, as prisões secretas, a tortura, o tratamento não digno de prisoneiros, enfim, essas coisas que os EUA não deixam de fazer e que certamente muitos dos estados europeus também fazem.
Hoje o Conselho da Europa manifestou publicamente o seu apoio "(...) ao relatório sobre voos e prisões secretos da Cia" - notícia do Público.pt e adianta que a Assembleia do mesmo organismo reuniu indícios suficientes para chegar à conclusão que 14 países europeus estão envolvidos na transferência ilegal e prisão de pessoas ligadas ao terrorismo, condenado no final esta prática e apelando a novas estratégias de combate ao terrorismo que não compromentam a dignidade humana e recorram a métodos extremistas.
Pois, tá bem, eu também aproveito para manifestar aos desgraçados dos prisoneiros que estão à mercê de gente louca e tão prepotente como os gajos que os recrutam para abraçar a causa dos mártires mulçumanos, o meu apoio já que têm direito a detenções legais e julgamentos justos e a Dick Martim, membro do parlamento do Conselho Europeu e que conduziu o inquérito onde que chegou a estas conclusões: "existem indícios suficientes para concluir que 14 países europeus colaboraram numa teia montada pelos serviços secretos norte-americanos para capturar, transportar e manter em cativeiro pessoas suspeitas de ligação a movimentos terroristas, à margem do sistema judicial.", in Público.
Também aproveito para dizer que esta treta de Guatámano e a Cia e os respectivos presos e a subvida que têm dentro daquelas prisões, que deve ser bem pior do que imaginamos, me faz lembrar as descrições que já li sobre os prisioneiros dos campos de concentração Nazis. Lembrança que não sendo original, parece ter sido esquecida pelos Governos Europeus.
Aliás, Portugal vêm referenciado como um dos países que apesar de não terem tido qualquer acção directa nestas transferências ilegais, é conivente com a situação descrita. E digo indirecta porque apesar de existirem provas para o Conselho da Europa que os aviões da Cia se reabesteceram no aeroporto de Santa Maria, o Governo português diz que não têm nada que sustente estes factos. Além de que mais uma vez, Portugal é conivente com conductas ilegais e infrahumanas, nunca tomando para si qualquer tipo de papel activo nestas histórinhas, o que não me admira muito, mas ao menos podia não negar a sua conivência.
Enfim, estes senhores mais ou menos bem intencionados do Conselho Europeu dizem que querem desenhar e criar linhas de combate ao terrorismo juntamente com os EUA para os meninos não terem esta atitude, prontos, sei lá, que didacticamente aprendam a comportar-se condignamente....

segunda-feira

Vou ali e já venho!

Hoje, depois de muito pensar e de uma proposta de aventura a que não dá para virar as costas, cheguei à conclusão que é preciso mudar de vida.
Não sei para onde vou ou o que fazer depois de um merecido descanso e de acordar apenas para descobrir, mas sei que estarei melhor e mais saudável. Novamente apaixonada pela vida com força e vitalidade. Vou ali e já venho. Esta é a frase que me apetece tatuar na testa.
Porque não posso ter medo de mudar e de abraçar novas perspectivas, porque não posso deixar que as nuvens negras e os momentos menos felizes me deitem abaixo, porque não posso pensar que "se esqueceram" de mim, quando eu sou a que não escuto os meus verdadeiros e mais intímos desejos e vontades. Vou ali é já venho.

quarta-feira

Venho por este meio dar as boas-vindas ao Verão, ao Calor, ao Sol a brilhar, aos pássaros a cantar, à praia, às cervejas, às noites longas de música e conversas boas à beira-mar, no campo ou cidade!
Também quero saudar as peles morenas e bochechas sadias e rosadinhas, os olhares brilhantes e os corpos semi-despidos.
Hoje é o dia mais longo do ano, o Solstício de Verão - "Devido às movimentações da Terra ao longo do ano o Sol se movimenta no céu ao longo do ano também e assim, duas vezes por ano o Sol fica exatamente em cima da marca do equador ao meio-dia esses dois dias são chamados de Solstícios, e também temos os Equinócios que, são os dias em que o Sol está sobre o o ponto mais ao Sul e mais ao Norte. Um dos Solstícios é o Solstício de junho que acontece ou no dia 21 ou 22 de junho dependendo do ano".
Fonte: Wikipedia;)
Eu vou para a rua, vemo-nos por lá!
P.S. Parabéns Santinha, o canudo já cá canta;)

segunda-feira

Adérito é Deus!!
Acabei de apagar sem querer o início de um post diferente deste. Foi depois de telefonar para casa de um colaborador do estudo e me terem dito que o rapaz faleceu. Fiquei nervosa...
Imagino, por vezes, como será a vida com quem falo ao telefone todos os dias, alguns até me conhecem e tratam como se fosse a menina da tabacaria ao pé de casa ou como se fosse a padeira ou coisa que o valha. A intimidade, que não o sendo, se adquire pelo hábito reiterado de lhes telefonar. A familariedade de uma cara conhecida, transportada para uma voz.
No início espantava-me como as pessoas são capazes de falar sobre a sua vida a uma estranha e há medida que ia tentando perceber o que se passa com os seus computadores, conhecer também uma ou outra história destas pessoas.
Um senhor que me dizia que não podia continuar a colaborar porque tinha saído de casa e o pc tnha ficado com a ex-mulher e as filhas. Pedi-lhe autorização para recrutar a filha para continuar a colaborar no estudo. O senhor disse que sim, não haveria problema, a miúda já está habituada. Arrastaram-se vários meses e não consegui falar com a miúda. No dia em que consigo falar com alguém daquela casa, atende-me o suposto ex-marido.
Voltaram ao casamento, voltaram a tentar. Dizia ele que "Graças a Deus já passou, foi uma fase má". Até ficaram sem computador durante uns tempos, mas que agora está tudo bem e têm muito gosto em colaborar novamente. Falei também com a mulher: " O meu marido trabalha até tarde e tal, mas já tá em casa novamente..."
Fico contente que duas pessoas desavindas afinal não estejam assim tão equívocadas! Também há o caso dos participantes que ligam muito ofendidos a dizer que está uma pessoa no seu agregado familiar que já não vive naquela casa "Faça o favor de tirar essa senhora daí, já cá não vive" , estas são as situações em que os colaboradores usam a linha telefónica grátis. Para repôr a verdade dos seus agregados familiares.
Falei com um senhor que tinha 3 filhos, quando confirmava uns dados que não me recordo quais eram e envolviam toda a família, exclamou bruscamente que aquela pessoa por mim mencionada já não existia. O tom de voz foi tão rispído que não me atrevi a perguntar mais nada. Desactivei aquela pessoa, deixou de existir!
Situações engraçadas e rídiculas também se passam, tipo um senhor que tinha 2 computadores e ficou sem nenhum numa tempestade. Cairam-lhe uns quantas raios em cima da casa e lá foram uns electrodomésticos. Cómico porque o próprio participante já se ria da cena e não deixa de ser caricato.
Ás vezes dou por mim a ter diálogos hilariantes e surreais, pessoas que ouvem mal, outras que nem sabem o que é a internet . "O quê? Markotesto. Não temos cá disso; Internet? já tenho". Ou um rapaz que era filho da colaboradora principal, que passou a batata quente para o mesmo. Quando disse o nome do rapaz, sem lhe perguntar, ficou tão assustado. Coitado do Adérito. "Como sabe o meu nome?", foi um diálogo bem animado, por acaso, mas sempre em moldes estranhos. Antes de começar a colaborar efectivamente ainda falamos umas quantas vezes, agora há muito que não aparece. Um colaborador exemplar!
O colega aqui do lado queria falar com o colaborador e ficou a saber por intermédio da filha que o pai tinha alguns gases que o impediam de vir ao telefone. "O pai? Tá a dar peidos!". Repetiu várias vezes, até porque o rapaz ficou incrédulo com o que ouvia. Se há coisa mais bonita que a inocência das crianças?
Todos temos histórias destas para contar. O mais engraçado é registar tudo isto, o pessoal chama-lhe escrita criativa. Este registo tem por objectivo descrever toda a conversa que tivemos, pelo menos os dados mais importantes e claro, prevenir os colegas para colaboradores mais relutantes, para não dizer coisas piores. É comum abrir uma ficha de participação e ver "cuidado, morde!" ou mudou de casa, ou está no estrangeiro, foi para a Bósnia!
É um trabalho extenuante porque pressupõem que tenhamos uma conversa dos diabos para convencer as pessoas a colaborarem voluntariamente num estudo... porque sim. Só isso, porque sim, porque é melhor participar do que não o fazer. Por vezes tenho que ser dura com eles, cheia de moral com base no quê? Sei lá...basicamente "ajoelhou, agora vai ter que rezar!"

quarta-feira

Apagar memórias? Mas que ideia peregrina, se fosse possível. Acho que se estivesse naqueles dias cinzentos como o de hoje, iria dizer que queria que me apagassem algumas coisas da memória, eu e qualquer pessoa.
No entanto, neste dia que está cinzento e que afinal até um dia alegre. A chuva veio para limpar e referescar, além de dar um toque de país tropicaliente e exótico q.b., não me veria a querer apagar algumas memórias que tenha e que me fizeram sofrer. Essa é uma bagagem que só concebo junto a mim.
Claro que muita gente já passou por situações que os fizeram sofrer tanto, que o melhor e para seguir em frente, é "apagar" certas coisas. Porém, nada é perfeito, a vida, os homens e mulheres, os acontecimentos e os acasos, até esses são passiveís de retoques, mesmo quando são acasos felizes.
Não sei que sentido faria se apagasse episódios da minha memória, afinal é quase tudo o que temos de nosso. Os sentimentos e pensamentos, acções e atitudes que tomamos ao longo do tempo e do caminho. Fazem de mim o que sou e o que é melhor, fazem muito do que serei.
Apagar as memórias é como se conseguissemos admitir que nada é perfeito, que nada tem flops, que nós somos autónomos e impenetráveis.
Playing God, just playing God!!

terça-feira

É o 1º post que escrevo em casa, aqui na varanda da Ana com o Chasqueira a tocar viola!!!

Ainda bem, porque será um dos últimos aqui na varanda mais estreita de Lisboa.

Penso várias vezes que a mudança é um bicho que não pára quieto, tão depressa está meio adormecido como rapidamente se aloja e me faz experimentar sentimentos diversos, ora de medo e desconfiança, ora de esperança e vontade de andar para a frente.

Sendo que a guitarra não cabe na varanda e o Verão está ai, nada melhor que partir. Em dupla ou "catadupla" , quanto mais não seja faremos a estrofe de uma canção.

De vidas banais ao som de músicas vibrantes e melancólicas, mexidas e relaxantes neste universo flamejante de vontades preciosas e cândidas.

sexta-feira

Começou o Mundial! A alienação está instalada. Futebol, futebol, futebol e se duvidar...mais um bocadinho de futebol.
Há muito a dizer sobre isso ou não e por isso, só dois apontamentos: no Inimigo Público os concorrentes que ganharam o Primeiro Prémio de Criatividade escrevem um texto bem engraçado sobre o futebol, não me lembro do link, porém vale a pena ver as coisas por aquele prisma.
O segundo apontamento é sobre a programação televisiva cá do burgo. Ora, ontem estive numa noite televisiva q.b., já não o fazia há algum tempo e durante umas horas largas, eu e a "Firmina" papamos tudo o que nos passou à frente nos vários canais - que para nós são apenas 4 e ainda bem. A publicidade só usa o mundial e o futebol para vender os produtos e afins e todas são boas desculpas para por um esférico na imagem, um qualquer jogador de futebol bronco promovido a herói da Nação ou então - e como dizia a companheira do colanço- o Selecta Scolari a apelar muito patrioticamente para pormos a bandeirinha na janela, no carro, no cão, no gato e no raio que o parta.
Um programa delicioso e fantástico na RTP onde o apresentador conseguiu que um dos jogadores da selecção falasse em directo durante uns minutos largos. Uma proeza! Sempre que fazia zapping lá estava o moço a transmitir ao país qual o espírito vivido pela equipa e tal e tal. Aquele programa durou umas horas largas.
Preferi ver a novela, aliás, as várias que dão durante uma noite televisiva.Claro que a TVI ganha aos pontos. Depois de 4 horas de novelas, chegam os dois diários, SIC e TVI, sobre o Mundial e a equipa das Quinas. Mais uns minutos. Reportagens hilariantes. Os adeptos da Costa Rica na Alemanha, duas moças do outro lado do oceano a dançarem com umas bananas gigantes e mais uns quantos frutos na cabeça, adeptos histéricos, pintados, prognósticos, diagnósticos, treinadores de bancada e videntes. Valha-nos Deus!
Não bastam os jogos, é preciso fazer render o peixe e as tv´s sabem-no fazer bem, seja futebol, incêncios ou pedofilia. Um magazine sobre os acontecimentos do Mundial, uma reportagem sobre as mulheres dos craques e como ultrapassam a carência sexual durante o Mundial, as cuecas dos jogadores, os adeptos frenéticos e demais postais futebolísticos.
Não vou ver tv nos próximos dias, o que vi ontem chega e sobra, prefiro ver novelas, sempre falam de mais qualquer coisa que futebol. Descobri as da TVI e acalento o sonho de um dia conhecer as mentes intrincadas que escrevem os argumentos. Estórias mais rebuscadas que o CSI e suas sucursais espalhadas pelas cidades dos States. Mas tanto as novelas como o CSI e suas variantes são outros posts...ou não!

quinta-feira

A tirana está dentro de mim, a autocracia que posso exercer vive na minha cabeça e no meu espírito e é bom perceber que a libertação depende só de mim!
O caminho para essa libertação é o mais importante de todos, se esse estiver iniciado, tudo o resto parace mais pequeno e pouco importante.
Distinguir o essencial do importante. E o essencial é a tranquilidade e força. O resto que se foda!!

segunda-feira

Isto são umas atrás das outras... e fazem-me acreditar cada vez menos no ser humano!
Perco a fé que anteriormente me fazia acreditar na evolução e no aperfeiçoamento dos homens e mulheres. Não creio em gente perfeita e desta acho que devemos fugir a sete pés. A imperfeição humana faz parte da nossa existência e passagem por cá. Mas caramba, ele há com cada um...
Anda gente por ai sem escrúpulos e respeito por quem os rodeia, egoísta e mau carácter, aposto que sem noção do que fazem e que me fazem acreditar que a maldade pode ser intrínseca e a isto mistura-se um bocadinho de capricho e tá tudo fodido!
Não acredito no Inferno ou no Céu, nem na existência de uma força divina que venha castigar quem merece.Porém, quando a justiça humana nada pode fazer e nos ata os pés e mãos, espero que tudo o que fazemos nos seja retribuído a dobrar, não é uma praga, apenas e tão só, um mecanismo de manter esta merda em equilíbrio. "What goes around, must comes around..." assim o espero.
E até que essa força maior que mantém o equilíbrio disto tudo não entra em acção, vou aprendendo mais do que gostaria, conhecendo o que existe de feio, sórdido e sujo no ser humano. Tudo o que peço e troco pelo equilíbrio de que falava atrás, é que a minha fé em nós, as pessoas, não esmoreça e acabe por desaparecer e que consiga manter o meu espírito, coração e cabeça limpos do lixo que acumulamos ao longo da vida.
Lamento a amargura que me corre nos dedos e transborda cá para fora sem qualquer cuidado ou contemplação, no entanto, não tenho sentido nenhuma contemplação em relação à minha vida nos últimos tempos, nem nas bombas que lhe têm caído em cima.
Esta é a minha vingança (conheço coisas bem piores), lançar para a blogoesfera o que me atormenta. Pode ser que se perca e se dissolva.

sexta-feira

Numa sala fresca e antiga, ali para os lados do Campo Mártires da Pátria existe um sofá confortável e acolhedor. Se pudesse mudava-me para esta sala fresca e ampla, quase insonorizada com janelas sobre a cidade barulhenta e atribulada com miradouros verdes e labirínticos que oferecem vistas sobre Lisboa.
O de hoje retribuí uma Lisboa fantasma, apenas com vista para as janelas dos prédios mais altos. As árvores tapam as ruas e os restantes espaços que possam acolher gente. E o meu olhar segue uma colina cheia de quintais semi abandonados, apenas povoados por gatos preguiçosos e vadios.
O calor afasta-nos das ruas e de repente parece que estamos na hora da sesta. Ando pela rua como se estivesse em pleno deserto, procurando as sombras reduzidas nos passeios. Quase que tenho visões de um oásis distante. Uma pequena casa de adobe com 2 banquinhos à porta, janelas pequenas com grades rocócó azuis e protecção para os mosquitos e outros bichos que tais.
Ao entrar na pequena casa cor de barro saboreio um ar mais leve e fresco, descalço os sapatos e sinto os tapetes amarelos, verdes, azuis debaixo das plantas dos pés. Espera por mim um colchão florido e um contador de histórias de olhar triste e melancólico.
Sozinho e de olhos fechados, canta histórias de sofrimento, também de crença numa vida melhor. Canta os antepassados e a chegada das caravanas com novidades frescas que vêm do outro lado das dunas.
Adormeço com as palmas e vozes quentes e aconchegantes que cantam e enchem a sala. Passaram lá para fora e agora os batuques tomam conta da noite do deserto, que nos protege com o manto brilhante das estrelas, baixinhas como se lhes pudéssemos tocar e levar para casa.
Ilusão! As estrelas não se guardam. Existem para nos guiar e iluminar os caminhos. Não se deixam apanhar, só aparecem quando lhes dá na gana e nunca, nunca admitem que as guardemos nos bolsos para quando precisamos delas. São de todos.
Esta foi a alucinação que tive quando andava na rua. Caminhos de terra batida, castanhos claro, dunas gigantes que abrigam vales fofos de grãos de areia, vilas fantasmas à hora de mais calor, mercados coloridos, cafés e lojas desertas de gente. Aqui e ali um ponto de cor, gente tapada com panos coloridos, crianças a jogar futebol com uma bola improvisada. Na linha do horizonte uma cidade ladeada por tamareiras verdes. Envolvidos na vegetação advinham-se castelos encantados, casas fortificadas com pátios coloridos e aconchegantes. No meio, fontes e lagos, sapos e plantas verdes.
O sol é abrasador e seguimos pela estrada de terra batida, na esquina de um dos caminhos entramos para uma casa construída abaixo do chão, uma gruta cor de laranja, habitada por um gigante negro, de voz doce e olhar meigo.
Tenho uns amigos que vieram do deserto há pouco tempo, vi as fotos, aquelas cores. Tudo junto com o calor que se faz sentir nesta cidade tive uma série de visões e alucinações. A minha memória foi assaltada pelas recordações de tranquilidade e descoberta do deserto. Das pessoas que vagueiam pelas ruas, assoladas por uma estranha calma, enrolados nos inúmeros panos que os cobrem, lembrei-me dos cheiros e sabores fortes. Os olhares vazios e inexpressivos de quem contempla o infinito. Acucorados numa estrada deserta e quente, esperam não sei muito bem o quê. Mas esperam com calma e sossego, aproveitam para observar o que os rodeia, conhecer o sitío onde moram. O deserto esconde muitos mistérios, transforma-se a uma velocidade fascinante e imparável, cobre estradas, tapa casas, engole pessoas e animais.
Cria confusão e vazio e de repente entrenha-se no corpo e na memória, torna-nos prisoneiros da sua tranquilidade, ensina-nos que numa paisagem aparentemente linear e monótona se esconde um mundo de possibilidades e encantos.

quarta-feira

Muitos motivos para escrever, mas pouco tempo para digerir a informação existente e conseguir pôr tudo cá fora.

Estou muda, cega e surda. Energias concentradas nas pinturas e reconstruções.

E senão existissem os amigos? Nem quero imaginar essa possibilidade;)

Obrigada/o aos que estiveram presentes neste fim de semana complicado e tão saboroso ao mesmo tempo. Voltem sempre que vos apetecer!

Rock on, porque o que não nos mata, torna-nos mais fortes!!!

sexta-feira

Hoje é dia ruptura e como as situações de ruptura exigem novos caminhos e novas escolhas, é isso que irei fazer nos próximos tempos. Elaborar um novo ponto de partida e especialmente um novo ponto de chegada.

O fim de semana prevê-se agitado, mas com praia e amigos. Volto ao meu safe place amanhã, para o recuperar dos escombros e torná-lo novamente habitado/habitável.

O futuro não sei o que reserva, a luta, essa não a esquecerei, vou-me apenas retirar e relaxar. Ganhar e armazenar energias.

Quando o tumúlto é muito e as incertezas e agressões não páram de se abater o melhor é retirar a equipa de campo e esquecer que o mundo apesar de não parár, não acaba hoje.

Tento recuperar a humanidade que me deixou, o lugar que a mecanicidade tomou.

Este passa a ser um espaço de recuperação....

quinta-feira

"Should I stay or should I go?"
Contínua qualquer coisa como quando as decisões me aborrecem, lá, lá...Pessoalmente penso em partir, mas só penso não concretizo e vou, de mansinho, para o meu safe place como diz a Sally da série "Couplling".
No entanto, o meu sítio seguro tem sido invadido por uma série de inseguranças e todo o cenário maravilhoso deixa transparecer um fio ou uma câmera e um microfone como nos filmes de má qualidade, bem por trás de uma palmeira frondosa que habita o meu safe place.
É a vida, os safe places não são herméticos, intransponíveis e...em última análise seguros. O que me chateia!
Todos deveríamos ter um safe place, parece-me mais útil que um amigo imaginário. Um lugar tão elaborado que nem nós saberíamos onde é, apenas os caminhos labirínticos da imaginação saberiam como se vai lá dar. Um lugar imaginado por nós assim que nascemos para este mundo, quase tão perfeito que não saberíamos como distinguir entre o safe place e o mundo real.
Ou melhor, o safe place poderia ser este universo, mas não é, e por isso me vejo impelida a ir para o meu safe place.
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Deixando o safe place. Ele anda tão habitado estes dias que pode deixar de ser ainda menos seguro se continuar a fazer esta publicidade toda.
Hoje li uma revista feminina, aliás leio várias vezes, e por defeito profissional ou não, pôs-me a pensar naqueles conteúdos. Nenhuma novidade, existem várias dissertações teóricas sobre o tema e toda gente compreende o propósito das mesmas. Mesmo assim, apetece-me divagar sobre estas.
3,50 euros por uma revista repleta de publicidade, anúncios esses que se adequam com o tema de capa de cada edição, ai está uma estratégia requintada. Fotografias e produções de moda, as últimas da estação que agora se inicia, uns artigos meios desgarrados lá para o meio sobre o museu de arte antiga, as jóias das celebridades e como vão parar às mãos, dedos, pescoços das estrelas, enfim...nada.
Mais vale comprar a Caras ou a Lux, até a VIP. São mais baratas e ao menos já sabemos que os textos versam sobre as tias, tem fotos bem grandes, além das fotos paparazzi e aquelas rubricas que adoro: imagens dos convivas de determinado evento social, nas quais o interesse maior são as farpelas dos mesmos. Acho lindo, especialmente as fotos das tias mais velhas com os seus cabelos armados e cheios de laca, expressão facial meia esgroviada por causa dos flashes e plásticas.
O maravilhoso jet-set diverte-me mais que uma revista feminina e até, mais do que um filme do Woody Allen. Acho que se o Allen lhes pussese a vista em cima também se divertia. Gosto de todo aquele espectáculo das melenas loiras, as plásticas, os sorrisos dos anúncios das pastas dentríficas, o último grito da moda.
Na semana passada vibrei com os Globos de Ouro, a parte mais divertida é a do tapete vermelho, o resto acho que deviam abolir, não tem qualquer interesse e soube por um amigo que as limusinas que transportaram os convidados até ao renovado Campo Pequeno, outro fenómeno tipicamente português: as resoluções dos nossos problemas passam por construir um shopping em cada canto de cada cidade. Está sem vida, não tem gente, já não passa de uma praça de touros decrépita que alberga em sim uma prática também ela decréptica e animalesca, a tourada, constrói uma galeria comercial, não dá lá dentro, faz no subolo, tipo estacionamento. Perdi-me, as limusinas eram só três que davam a volta à Praça e iam buscar os convidados às traseiras do espectáculo, lindo.E nós, a pensar inocentemente que cada um dos convidados poderiam ter alugado uma limusina. Inocentes!
O local da festa pareceu-me apropriado para o bando de forcados, vulgo meninos betos, que lá devem ter estado, tanto na plateia como naquelas tribunas ao longo do tapete vermelho. Crianças histéricas a acenarem à Melanie C como se fosse o Cristo Redentor a aparecer novamente cá no burgo.
Foi a feira das vaidades e da cusquice e sabe lá mais o quê. Os repórteres do tapete vermelho estavam encantados. Aliás, repórteres que estã a crecer a olhos vistos e já se justifica a criação de um subgrupo dentro do jornalismo, tal como existem os jornalista de guerra, também deveriam ser considerados os jornalistas do Tapete Vermelho.
No fundo, chega a ser uma prática jornalística tão perigosa como o repórter de guerra, uma pessoa corre o risco de levar com uma mama de silicone, escorregar numa cauda de um vestido, ficar intoxicado pelo cheiro a perfume intenso e pior, ter que entrevistar a Pimpinha e fazer de conta que é a criatura mais fascinante e interessante do mundo.
Medo, muito medo!!!!!!!!!

quarta-feira

Hoje não foi um dia fácil, mas à medida que foi andando, fui vendo atitudes de ternura e compreensão, largadas ao vento como quem diz: tem paciência, calma, planta amor, compreensão e amizade e colherás os frutos e agora, no meu segundo trabalho, depois de uma tarde solarenga passada quase toda na esplanada, tudo me parece mais leve!
Sei que quando chegar a casa vou ter uma família que me espera, que se preocupa e cuida e é isso que todos temos que fazer, cuidar dos que mais gostamos.
Desculpem-me a lamachice, porém quase todos os dias são intensos, de descoberta, de negação, de teste à minha força interior, teste constante à minha preserverança e fé no mundo e nos outros e em mim.
E quando estáva no metro após a 35ª entrevista de emprego - que por acaso é uma óptima terapia. Falamos com um estranho sobre algumas coisas que até aliviam, se tivermos auto-confiança e soubermos fazer as coisas, ainda saímos de lá com o ego em cima, do melhor que há - voltando ao metro....
O que vi foi uma manifestação de ternura e cumplicidade, misturado com tristeza e saudade, muita saudade. Entrou um homem, comido pela droga, com óculos de sol pretos e assim que se senta e olha para o lado, vê as minhas companheiras de viagem, uma mãe e avó babadas com a respectiva criança e exclama "Manela experimenta estes óculos!", ela experimentou, a avó e ele diz que gosta e que são uma prenda. A Manela ficou contente e retribui a prenda com dois beijinhos. Eles conheciam-se e palavra puxa palavra, percebi, bem como os restantes passageiros vizinhos, que se conheciam de outras vidas.
O rapaz antes de sair do metro, do nada disse que tinha saudades, muitas. Os companheiros da Manela e do rapaz dos óculos morreram e deixaram-nos tristes e sós. A Manela vestida de preto e o rapaz dos óculos entregue ao vicio e à tristeza que quando saiu da carruagem se lhe abateu nos ombros.
A companheira do rapaz chamáva-se Manela, porém era um Manel, o companheiro da avó Manela deixou-a sozinha. Conheceram-se todos, pelo que percebi, numa outra vida que a avó Manela abandonou. O rapaz dos óculos carrega uma tristeza muito grande, maior que a vontade de uma vida melhor.
A avó tem um netinho, um menino espevitado e simpático que pelo que disse à senhora da frente a fazia sorrir e esquecer momentos mais dificeis.
Esta história a propósito do nada. Ou melhor, a propósito do amor e ternura. Das pessoas que vivem na mesma cidade que eu e não reparo, tal a concentração obessiva nos meus dramas. A propósito da capaciadade que não posso perder de me comover e de acreditar.

quinta-feira

"Pretinha,
Eu faço todo pelo nosso amor,
Faço tudo pelo bem do nosso bem, meu
A saudade é minha dor
Que anda arrasando meu coração

Não duvide que um dia eu te darei o céu,
O meu amor junto com um anel
Pra gente se casar
No cartório ou na igreja
Se você quiser,
Se não quiser, tudo bem, meu bem

Mas tente compreender
Morando em São Gonçalo você sabe como é
Hoje ´a tarde a ponte engarrafou
E eu fiquei ´a pé

Tentei ligar pra você
O orelhão da minha rua estava escangalhado
O meu cartão estava zerado
Mas você crê, se quiser"

São Gonçalo de Seu Jorge.

Esta música é uma declaração de amor bonita, apesar dos azares do rapaz.

quarta-feira

Cá vai uma mudança capilar! Foram muito os esforços para que voltasse a ter cabelo na moleirinha, o frio aperta. Os distintos cabeleireiros foram o Nuno, o jorge e o pedro, cada um com a sua cola conseguiram restituir-me algum conforto.

Esta é um reinterpretação livre do sucedido do amigo e vizinho Pedro.

Os conselheiros foram o Triani, a Joana e a vizinha Sara sempre que o fogão lhe permitia fugir.

Aos interessados em restituir as suas melenas, por favor deixe o contacto neste blogue. Os resultados são incríveis;)

terça-feira

Tenho um post preparado, popozudo, humorístico para postar... e não consigo ultrapassar os parcos conhecimentos de blogueira. Fico chateada. Tenho que pedir uma aulas a um/a entendido/a.
Lá no meu estágio tive a catalogar e receber os portfólios dos concorrentes do concurso de Fotografia: viagens e mais viagens, e o ocidente v.s. o oriente. A austeridade do primeiro e o exotismo do segundo, a cor v.s a sépia, enfim...os bichos, a natureza vs. a cidade, industrial, pesada, arranha-céus, trânsito, caos...lá lá lá.
Tudo entregue à última da hora, dossiers e dossiers de impressões recolhidas pelos nossos fotógrafos. É bom ver que o pessoal passeia por ai, fotográfa, anda pelas ruas de outros mundos e quer partilhar o que viu com os demais, os que ficam, os que vão para outras paragens e sobretudo com os que poderão ser indiferentes a outras vidas.
Fico triste quando percebo que vivemos num mundo que limita a livre circulação dos povos, a troca de ideias entre as gentes, as suas artes, letras e músicas, hábitos, defeitos e feitios. Há países no mundo onde a entrada de estrangeiros, sejam eles do país ao lado ou do outro lado do globo, não permite a entrada de nenhum estranho áquele meio.
Desde que visitei um país onde os nacionais têm de pedir autorização ao soberano para deixarem as suas casas que compreendi que esse fechamento não passa de uma estratégia para se poderem manter no poder. A circulação entre os povos sempre transportou novas ideias, as pessoas que se movem livremente comunicam entre si, transportam consigo outras formas de vida e recebem em troca maneiras diferentes de ver o mundo. Isso não é bom, põem em causa o poder estabelecido.
Mais chocante foi ainda perceber que existem muitos países no mundo nos quais os seus naturais não podem falar com estrangeiros, não podem livremente criar laços com pessoas que não falem a mesma língua e que conheçam outras realidades.
Isto tudo vem a propósito de nada, porém é um assunto que me atormenta e que impede que vivamos num mundo mais justo e pacífico, porque as pessoas estão impedidas de se conhecerem, de se darem, de partilharem conhecimentos, de criarem formas alternativas de vida, de se olharem nos olhos e em diálogos cara-a-cara ultrapassarem as diferenças.
Por isso, se criam conselhos disto e daquilo, cimeiras de entendimento global e burocracias várias, quando e acredito nisto, a essência do ser-humano é nómada, viajante e errante!

segunda-feira

Já estou a defraudar as expectativas do pessoal. A tal fotografia com a mudança capilar ainda não foi possível de postar, tive problemas logisticos, peço desculpa. Mas tal vai acontecer, tá prometido.
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Este fim de semana fui ao Porto, escusado será dizer que vim para Lisboa doente, passei hoje o dia de molho. Não tenho uma boa relação com o estado do tempo da Invicta, só no Inverno, já sei com o que posso contar.
Sentei-me na esplanada a ler o jornal, caminhei e senão fosse a constipação tinha sido um bom fim de semana relaxante, em casa da família.
Gosto de ver como os meus irmão estão crescidos e activos, a caminhar pelos seus próprios pés, a contar as suas primeiras aventuras e desventuras, as descobertas, desilusões e alegrias. Claro que esta conversa só é válida para a minha irmã, porque o meu irmão não fala grande coisa, nem conta nada por ai além, a não ser que tudo é uma chatice, menos os cavalos, as miúdas e que vai despedir a explicadora.
Ela fala e conta tudo, é uma menina bem-disposta e caprichosa q.b., tem piada e é inteligente. Como ninguém na minha família, sou uma irmã babada...
Fico contente e apesar de lá ir tão poucas vezes nos úlimos seis anos, percebo que eles gostam da minha presença e me contam o que lhes apetece. Ou seja, apesar da distância somos amigos e eles olham para mim como uma pessoa a quem podem chegar e com quem contar.
Ás vezes a distância mata as relações ou enfraquece os laços e a convivência acaba por ser trivial e pouco intíma, é díficil lutar contra o passar dos anos e a ausência do quotidiano. Esse ajuda-nos a conhecer bem as pessoas com quem vivemos, os seus olhares, atitudes, a sua expressão corporal e os tons de voz, as disposições e manias. Filtra por si só com quem estamos e queremos estar.
Já me aconteceu isto com algumas pessoas e acredito que os laços de sangue não determinam assim tanto a manutenção das afinidades ou a existência das mesmas. O apelo do sangue não sei se fará grande sentido, de qualquer forma, poderei mudar de opinião algum dia. O que faz sentido para mim são os laços afectivos que criamos com as pessoas.
A minha vida é povoada de gente que à partida nem deveria ter cruzado o meu caminho e vice-versa, o acaso e a ironia da passagem por aqui fez com que tal acontecesse, ligando-nos para sempre, gente diferente que esculpiu uma relação sem nada dado, apenas o acaso e mais tarde as afinadades que a convivência foi deixando vir a lume.
E esse desafio da conquista dá-me prazer até hoje como se cada pessoa que conheço fosse um potencial território fértil para fazer crescer um bosque de ligações e afectos e fico surprendida como aquilo que mais me distancia de outra/o é o que mais me aproxima, no fim.

quinta-feira

Acho que tou a ficar doente, o ar condicionado é uma praga dos tempos modernos. Não lhe reconheço nenhum valor ou vantagem.
Passado alguns anos fiquei alérgica ao mesmo, não posso levar com ar condicionado durante 10 minutos que sejam que fico assim, ranhosa e fanhosa com a garganta atacada. Estar adoentada com calor é horrível a ale´m disso, não consigo dormir durante a noite, tenho o nariz entupido, não consigo respirar, o que não é nada bom.
O mais engraçado de ficar assim é a voz rouca, o que dá jeito para falar com os colaboradores do estudo da Marktest ao telefone, faço uma voz mais sexy e é sempre a subir nas instalações de programas, logo após ao contacto telefónico. Ou seja, ligo-lhes e peço que instalem o programa e eles em vez de se esquecerem, vão logo instalar o programa que os vai controlar. Que perversidade.
As senhoras não acham muita piada, desconfiam quando lhes pergunto pelo marido ou filho ao telefone. "Mas quem fala?". As mulheres ao telefone são lixadas, muito mais antipáticas e pouco disponíveis que os homens. Esses sucumbem a uma vozinha mais sedutora, a um pedido bem feito ou que quer que seja, claro que também há os que me enganam e dizem que instalam o programa e nada. Partem-me o coração;)
O que se passa é que com este trabalho comecei a perceber que as pessoas têm uma grande dificuldade em dizer que não. Simplesmente dizer que não querem, que não lhes apetece. pronto, mais nada.
Em vez disso, enrolam, são chatos e mal educados. Claro que ninguém tem obrigação de instalar o programa. Eu não o instalaria, mas há com cada anormal. Logo nem deveriam ter dito que queriam colaborar, o pessoal já devia saber como são estas coisas. Se dizem que sim, nunca mais os largamos....
P.S. E este fim de semana vou decorar o meu blogue a pedido de várias famílias (leia-se Jorge) e até postar umas fotos tiradas pelos fotógrafos lá de casa. Talvez negoceie com um deles uma transformação visual que se me deu há 3 dias atrás;)

quarta-feira

(Pequeno aparte)

E não sei porque da vontade de escrever me veio a cidade à cabeça!

"Nós somos o que tu és
Cidade"

Das companheiras, banda revelação SYZYGY.

Mas sei, essa sim, onde estáva e está escondida a minha vontade de andarilhar por ai...
Quero escrever, agora quero escrever, só me apetece escrever... A escrita além de ser um exercício óptimo, é também uma forma de deitarmos cá para fora tudo o que nos vêem à cabeça. Já pensei andar com um gravador na mala e poder dizer tudo o que me apetece, apesar de não ser escrita é um exercício tão libertador como o primeiro.

Comentários, pensamentos de que ordem sejam, impressões. Andar nas ruas de uma cidade é estimulante a nível cerebral e sentimental, pelo menos quando estamos predispostos para tal. As pessoas, os carros, as casas, os cães, as árvores, os jardins, apesar de serem poucos nestes contextos urbanos, até a falta deles nos podem fazer pensar e querer protestar, dizer como a falta de espaço para os peões, nas cidades e vilas portuguesas é um atentado à nossa própria existência.

Como a circulação selvagem dos carros nos condiciona a caminhada pela cidade e o gozo que dela podemos tirar. Como os outdoors publictários por vezes nos levam para lugares tão longínquos daquela artéria barulhenta e poluída. E esse é um direito nosso, o de podermos expressar os pensamentos e sentimentos a cada momento que passa. Daí o gravador.

Deveria haver uma série de placards gigantes com caneta para os caminhantes poderem exprimir e partilhar a sua impressão sobre uma tarde na rua. A sua passagem pela avenida, a paragem na montra dos saldos, o cócó dos cães, as bicicletas, os carros no meio do passeio ou somente o dia radioso de sol que os acaricia. O calor abrasador e polúido dos centros urbanos. Os dias cinzentos de chuva, os céus carregados e as trovoadas, bem como as poças das ruas que nos encharcam quando esperamos os autocarros e sobretudo, os atrasos constantes do autocarro.

Tudo isto e muito mais me passa na cabeça quando estou a andar. A andarilhar pela ruas que sinto que já não são dos caminhantes. São das obras intermináveis, do carros em cima do passeio, dos caixotes do lixo, do entulho e de todas as manifestações de falta de civismo que possamos imaginar. Ao que se junta o ar congestionado e porco que respiramos.

Mesmo assim, caminhar é das actividades mais relaxantes que conheço, logo se juntasse o caminhar ao gravador, poderia encontrar uma verdadeira terapia anti-stress.

No fim, tería a cabeça livre. Só de pensar fico com vontade de andar, mas como não posso escrevo.

terça-feira

Diz-me aqui uma colega que não sou moça para ficar em casa...diz ela. Até ficava, mas não numa casa qualquer, queria a minha casa de Milfontes com terraço, fresquinho lá dentro e calor abrasador lá fora.
Esta sensação quase de norte de África é o que mais me recorda o Alentejo e os tempos em que vivia e passava férias na minha terra. Minha terra porque fui lá que cresci, não porque me sinta identificada com aquelas pessoas, mais porque tenho memórias remotas e salgadas...
No entanto, é dificil apagar da minha memória as idas à praia de bicicleta durante todo o ano, muito vestida ou não, a praia era omnipresnte. Rebolar pelas dunas, fazer corridas de bicicleta, ver os rapazes a mergulharem do pontão dos pescadores, apanhar gafanhotos no quintal da escola para depois soltar na sala, durante a aula (os meus colegas eram gunas e eu também), esperar ansiosamente pelos dias de Verão e pela chegada dos amigos e amigas sazonais.
Aliás, quando comecáva a época balnear, o que no Alentejo em anos quentes, era a partir da Páscoa, ficava toda contente à medida que a minha rua, uma urbanização de casas todas iguais e branquinhas com faixas a toda a volta, ora azuis, ora amarelas ou vermelhas, se enchia de carros, a rua ganhava outra vida durante os tempos de praia.
O resto do ano a rua era deserta, tinha no máximo 4 carros durante todo o Inverno, vivam umas 3 familias e uns quantos solteiros, dois ou três na minha urbanização, a do Monte da Rosa, nº 31. Como o fado e que fado!
Nas férias de calor a rua enchia-se de miúdos como eu, bicicletas, patins, bonecas e todos os objectos possíveis de levar para a praia. Ao fim do dia enquanto brincávamos, ainda de fato de banho e descalços, os adultos lavavam os carros e as nossas bicicletas e até os putos lá tomavam banho. Os banhos de mangueira ou chuveiro eram frequentes naquele bairro. Cada casa térrea tem um chuveiro no pátio e todos os dias, durante o Verão, quando o sol se põem às 8 da noite, a minha rua albergava um riacho que corria até ao jardinzito.
Jardim interessante esse, as jardineiras desse jardim eram e são as senhoras detidas do estabelecimento prisonal de Odemira, até ai tudo bem, durante o Inverno e porque há pouca gente e aquele é uma bairro sossegado, as donas jardineiras plantávam plantas de cannabis, lool, ao lado das laranjeiras. Laranjeiras que nunca foram nada de especial, lá se foi a imagem romântica da música do Rui Veloso, "roendo uma laranja na falésia", lá para os lados de Porto Corvô...
E a praia? A praia do Malhão, extensos areais protegidos por dunas cheias de vegetação lilás, castanha, verde e vermelho vinho com uma série de pássaros bonitos e raros, segundo os especialistas, caminhos de terra batida, praias quase inacessiveis com bicas de água doce e rochedos como castelos.
Na praia do Malhão mais bonita, a dos nudistas, porque é de dificil acesso, acampava sempre uma família de espanhóis gigantesca, aproveitávam a bica de água doce, bem mais viva que nos dias que correm e construíam cabanas na praia ao lado das tendas. Gigantesca porque eram vários amigos com os respectivos filhos, de todas as idades, que tinham um ar de selvagens e eram-no, tipo os meninos perdidos. Para mim era bom encontrá-los claro está, mas não percebia nada que diziam o que não os impedia de me tentarem afogar e coisas que tais...
Ao fim do dia chegáva exausta a casa, antes disso parávamos nas banquinhas de fruta que estavam na estrada e que agora já não existem, pelo menos naquele caminho e comiamos morangos e melão. Os dias de praia ocupávam todo o tempo, ora no Malhão com a minha mãe e os meninos espanhóis, ora com o meu avô Moreira na praia do rio. Foi ai que aprendi a nadar e que fui ao meio do rio com o meu primo quando estáva maré baixa e andei de canoa, tentáva...Era gordinha, redondinha como uma foquita e o barco desequilibráva-se, o Inti ficáva furioso.
Com a pele enrugada da água fria do rio e curtida pelo sol, os pés cheios de areia fui feliz e ainda sou. Este é o meu estado de graça, quando a minha pele sabe a sal e os meus olhos reflectem a cor do mar.

segunda-feira

Agora que já disse mal da minha vida durante não sei quantos posts e até a minha mãe ficou preocupada, vou apostar num post positivo.

Não é que não seja uma pessoa optimista, mas nestes últimos tempos tem sido difícil sorrir e pensar só no lado bom como conseguia fazer há algum tempo atrás, não tinha preocupações e tudo era uma descoberta. Agora também é, porém as coisas pesadas andam sempre a espreitar e conseguem enevoar o dia mais brilhante.

Como tal: este fim de semana fiz a minha primeira entrevista para ser publicada, além de mim e os professores como acontecia na faculdade, existe mais gente que irá ler a peça, espero.

Esta entrevista é o culminar de um trabalhinho que fiz sobre uma banda portuguesa, os Tora Tora Big Band e depois de estar publicada no ruadebaixo.com, vou postá-la aqui. Mas foi um processo engraçado e sabe tão bem fazer estes trabalhos jornalísticos ou pseudo, já que nem sou profissional.

Porém tento fazê-lo com brio, muito brio e profissionalismo, mereço isso e as pessoas que se dispõem a falar comigo também e mais uma vez em equipa com o grande vizinho Nuno Chasqueira, o fotógrafo.

Claro que os músicos que ainda têm mais vida de cão que qualquer um de nós chegaram atrasados, sonolentos, a fugir por trás de nós para irem antes de mais beber um cafézinho para abrir a pestana e claro que quando acabamos a entrevista foi quando eles távam acordados e prontos para falar, tal como eu.

Já para não falar que para chegarem ao jardim Constantino foi dificil, às pinguinhas, ora chega um, vamos lá telefonar a outro que até deve tar a dormir e tal. E em 40 minutos lá conseguimos reunir quórum.

Um italiano, um brasileiro e um tuga, às tantas não percebia nada daqueles sotaques todos e quando se desinibiram e começaram a falar ao mesmo tempo vi a minha vida a andar para trás. O meu gravador não é nada de especial com o barulho da rua, transcrever a entrevista foi uma carga de trabalhos.

Agora que já vejo o guião com outros olhos, acho que falhei, não deveria estar a dizer isto, Deveria guardar só para mim para não descredibilizar o meu trabalho. Porém a admissão do erro é o caminho para a evolução e não para a redenção;)

sexta-feira

Hoje fui almoçar com a minha chefe, tivemos na conversa algum tempo. Diz que sofre muito por viver em Portugal (o que se percebe).
Pelos vistos foi embora quando era miúda e passado uns 20 anos voltou. Pensáva que iria ter vida regalada, trabalhar numa multinacional a ganhar salário internacional, cheia de qualificações académicas e experiências profissionais de se lhe tirar o chapéu, saiu-lhe o tiro pela culatra! Deve ganhar bem, também trabalha numa multinacional, mas faz horas extra que é um doce, depara-se com padrões de exigência profissionais um bocadinho diferentes do que estaria habituada, a velha história que todos sabemos.
Até aqui tudo bem, mas diz mal de tudo e ainda por cima pensa que é diferente de todos, tipo iluminada. É certo que é uma mulher inteligente e com um humor perspicaz, é culta e criativa. Mas não há pachorra. Menina de Cascais que teve a sorte de ter uns pais interessantes e com pasta, que lhe deram o melhor, sente-se diferente dos amigos...claro são todos uns betos que não pensam com a própria cabeça e nem tentam, burrifam-se em tudo. Evidente que a menina é brilhante e se sente diferente.
Faz-me lembrar os estrangeiros que vivem nos países de 3º mundo, tipo os amigos que conheci da minha mãe em Marrocos, a minha própria mãe ou mesmo os estrangeiros que vivem no Alentejo, lá isolados nos montes. Dizem mal de tudo, os locais são burros, aldrabões, balofos e provincianos, quando não coisa pior.
Porém, são fonte de diversão para os estrangeiros e aquilo que estes gostam nos indígenas é a sua simplicidade, generosidade e inocência quase primitiva, são todos muito exótico-eróticos. Podem-lhes comer a cabeça e iludir com os hábitos avançados e ocidentais. Dizem que são tolerantes, mas implacáveis com os da terra. Não percebo o cinismo.
Este pessoal procura viver num país menos avançado, e percebo porquê, também queria. Custo de vida mais baixo, dá-se valor a uma série de coisas que na cidade nem nos lembramos, põem-nos, não raras vezes, em contacto com a natureza e com gente menos stressada. O que não acontece nas grandes cidades e Portugal também não é tão em África assim. É verdade que não temos padrões de vida realmente europeus, nem hábitos, nem serviços, nem educação e isso por si só faz um povo e que para quem vem de fora até conseguimos ser típícos q.b. e exóticos.
De qualquer forma, irrita-me cada vez mais o dizer mal, sempre, qualquer que seja a abordagem é para destruir e o que não quer dizer que ache que sou branda ou pouco crítica. Porém assumir a posição do sou bué diferente e ninguém me compreende parece-me a postura contrária a ter.
Ser provinciano é mau, mas ter a mania anda lá taco-a-taco

quarta-feira

Já é a segunda pessoa que me diz que vai deixar de comprar artigos na Fnac, por solidariedade com a minha pessoa, isto quando digo que ganho 98 euros por mês e trabalho 8 horas por dia. Sou estagiária;)
E pronto, foi nisto que se tornou o primeiro emprego ou a primeira experiência dos jovens licenciados no mercado de trabalho. (Já vou no 3º estágio, o primeiro emprego ficou em casa...). Aquele tempo em que o finalista ou recém-licenciado entra na sua profissão para aprender e ser monotorizado por um colega mais velho, que está dentro da organização.
Actualmente o estagiário vai substituir as baixas dos contractados, as grávidas, os aleijados mentais das empresas, enfim....
Raras são as empresas que pagam um salário digno ao seus estagiários. Na Fnac, por exemplo somos mais de uma dúzia, em quase todos os departamentos existe um. Estão a fazer o trabalho de assistência, tarefas que no fundo nos introduzem na rotina da profissão. Mas isto não é desculpa para se explorar o pessoal. Pensando bem, e na história da humanidade, o Homem já explorou e contínua a explorar o seu semelhante com base em pressupostos bem piores. Afinal o estagiário nem está tão mal assim...
A forma que conheço e que concebo para ganhar a vida de forma condigna é a trabalhar e a minha força de trabalho deveria ser paga. Mas o que mais me irrita nisto tudo acaba por não ser a situação em que estou, já que a aceitei e poderia ter ido simplesmente plantar batatas ou coisa que o valha. O que me põem fora de mim é o discurso moralista e hipócrita que os empregadores, ou deverei dizer exploradores, têm sobre a sua própria conduta.
Gente que defende que está a dar oportunidade aos estagiários para aprenderem, para beberem dos seus fantásticos conhecimentos e conduta profissional, que se diga de passagem é muitas vezes uma bosta, não serve pra nada senão criar vicíos e más condutas nos que os rodeiam e não deviam ser exemplo nem para uma mula.
É verdade, a isto já assisti eu num estágio que fiz e acabei por não levar até ao fim, porque achei ridículo demais compactuar com aquela situação. A minha chefe era uma mula, uma baleia branca instalada e arrogante, que não fazia nada de jeito e punha-me a tirar fotocópias numa máquina manual e velha. Bati mal. Mandei-a passear e não me arrependo. Não me arrependo de não compactuar com exploração e falta de respeito tão flagrantes. Tal como não me arrependerei de mandar os gajos da Fnac passear se alguma vez perceber que já não aprendo nada ali!
O discurso moralista do "estamos-lhes a fazer um ganda favor e estes gajos vêm para aqui e só fazem merda" é fácil de desmontar. É fácil porque é uma desculpa para lhes descansar a cabeça e legitímar a sua desonestidade. Porque a exploração é desonestidade, é falta de humanidade e até é um crime.
Só para terminar li num jornal, faz um mês, o caso de uma rapariga alemã estagiária, que aceitou um estágio numa empresa, lugar esse que não lhe trazia qualquer rendimento. Lá descobriu que estava ali para substituir um funcionário da empresa, que não me recordo se seria mulher e estaria grávida ou doente. E a menina não foi de modas: processou a empresa e exigiu que lhe pagassem o ordenado que merecia e não é que ganhou. Contínua a trabalhar lá e agora decidu criar um quase sindicatos de estagiários, no fim de semana que se seguia a essa publicação ia fazer uma manif...
Estamos longe disso e eu por mais que a aplauda não o faço, por comodismo? Sim. De qualquer forma, não acho que tenha menos direito que ela de protestar e de me insurgir contra a minha condição e especialmente contra a conduta primária e moralista do empregador/explorador. Este sim, o verdadeiro culpado pela situação precária e imoral que me obrigam a viver.

terça-feira

A esta hora estou quase sempre no meu segundo local de trabalho e como aqui as coisas são mais dessafogadas permite-me andar pela net a passear, já que tirando a navegação na net, durante a semana são escassos as alturas em que posso andar por ai!

Por isso, por não ter tempo para nada, por todos os dias desejar que por milagre os dias tenham mais umas horas, além das 24 que lhe são conhecidas sou meia máquina meia mulher. Porque por mais prazer que isto até me dê, habita-me uma dualidade terrível, ora quero cá estar, ora me apetece mandar tudo às urtigas.

A vida de máquina permite-me pensar pouco e sentir menos, dá-me a desculpa para ser excessiva no que me apetecer, sem que isso me incomode ou me faça pensar muito. Uma pequena recompensa que me dou, pela liberdade que tenho perdido de há uns tempos para cá. Dá-me a hipótese de chutar a bola para a frente.

Tudo isto, porque no fundo sei que não sou feita para ter esta vida. Às vezes passam-me coisas pela cabeça, tipo queria era morar num hárem, que a minha pessoa fosse posse de outra, apesar de racionalmente isso me enojar, manteria a minha mente e alma longe da ansiedade que o poder da escolha me dá. Não teria a posse de mim própria, mas quem a têm?
Porém, seria mais feliz na ignorância de outros mundos e escolhas.

Esta imagem apazigua-me. Se pudesse escolher, escolhia ser odalisca...