quinta-feira

Está tudo bem, mesmo quando corre mais ou menos, indo para menos! Angústia de quem não tem nada para escrever e tanto para dizer, angústia perante uma tela vazia pronta a ser enchida por letras e letrinhas.

O Messenger da tua prima! Ouvi dizer que ventos trazem personagens familiares que albergam cantos escondidos de desilusão, passa o Inverno, caí aquela chuvada que limpa as lágrimas e o rancor. porém não deixa esquecer a desilusão que trás o teu lado lunar.

Dia de visões há tanto deixadas para trás, encontros de dias passados que deixaram amargo na boca e na alma. Não há crise, os pássaros cantam lá fora, é noite, madrugada quase a trazer um novo dia, esperanças vãs. Mas o que seria do meu dia sem elas? Pergunta retórica que não merece resposta, sei na ponta da língua. Sonho, espero, ando e por vezes alcanço...

Amanhã vou-me arrepender de te ter escrito.

domingo

Foi ver finalmente o The Departed e saí da sala de cinema com curiosidade em saber o que se escreveu sobre o filme, as reacções que este provocou, já que se trata de uma trama perturbadora, não tanto pela violência óbvia, mas pela violência a que Leo DiCaprio e Matt Damon são sujeitos, meros joguetes nas mãos de homens viciados e obstinados.

O elenco é grande e Scorcese conseguiu retirar destes actores o melhor que têm para oferecer, Jack Nicholson volta no seu melhor, uma grande e perturbante prestação; visceral, anímica e esquizofrénica. E enquanto via o filme, identifiquei muito cedo a esquizofrenia da trama e dos personagens de The Departed, no fim de tudo e depois de ter passado por alguns momentos de seca tremenda, acho o filme excessivamente grande e que nada acrescenta, saí da sala desgustosa.

Não retiro o mérito a nenhum elemento interveniente, bem como ao realizador, no entanto, não deixa de ser um filme violentamente gratuito que na ânsia de retractar um mundo cão e uma América que Scorcese conhece tão bem, e melhor que isto, sabe tão bem retractar, porque conhece a sua fundação, percebe o que a faz mexer, não é surdo, nem cego às ruas do país onde vive, não é surdo, nem cego à natureza humana, nada me deixa.

Deixa-me a conspiração permanente, a luta do gato e do rato, as traições e as máscaras que são colocadas diariamente por todos nós. Claro que o mundo é assim, claro que poucas vezes se distingue o bem do mal, os vilões dos bonzinhos, claro que o fim não poderia ser muito diferente, acredito no entanto, que mesmo o mundo sendo puro e duro, não era necessário matar o elenco inteiro.

Essencial é ver e sair do filme com a certeza que o DiCaprio cresceu e melhorou, se esforçou e é neste momento um bom actor, não podemos é esquecer que dirigido por um mestre do cinema. Mestre esse, que acaba por fazer um exercício de estilo, deixando assim para a posteridade toda uma herança, condensada num manual de iniciação a Scorecese, intrincado, perspicaz, genial, dominador da sua arte.

quinta-feira

Rotinas

Levanto-me ao fim da manhã, tomo banho, almoço e entre a preparação do dito faço algumas tarefas domésticas, saio de casa, faço o mesmo caminho a pé para o trabalho todos os dias. Tomo café pelo caminho, às vezes lá encontro um ou outro conhecido, às vezes lá vejo alguma ou outra coisa que me desperta a atenção e assim vou gozando o sol que me banha, neste curto trajecto.

Chego ao trabalho e é rotina atrás de rotina, vejo os emails, o trabalho do dia anterior, leio o jornal online, vou buscar ou levar qualquer coisa ao andar de cima, depois coisas chatas e aborrecidas, às vezes faço entrevistas de selecção de pessoas, outras vezes invento coisas para fazer.

Entre as quatro e quatro e meia fumo um cigarro, entre as cinco e as seis faço o intervalo, entre as sete e as oito fumo outro cigarro, entre as oito e as nove adormeço de olhos abertos, entre as nove e as dez o meu espírito agita-se mais que um avião a sobrevoar um poço de ar.

Quando penso em me queixar desta vidinha, penso que já estive pior e lá me adormeço novamente, lá domo o desejo e a vontade infantil de querer fazer nada, quando reprimo estas vontades sinto que não sou honesta comigo, quando em dias como hoje acordo com a notícia de mais uma morte (este foi o meu primeiro contacto com a vida), um email das Finanças a dizer que terei de pagar retenções na fonte de 2005 e um email laboral a comunicar que muito do trabalho que temos feito foi anulado e por isso, temos que andar para trás como o caranguejo, não posso deixar de sentir e exprimir que apesar do belo dia de sol que se apresentou, de ter emprego, responsabilidades e blá, blá, blá, existem muitas outras formas de vida e por mais estranhas que pareçam, são bem mais felizes, é preciso é ter coragem para as abraçar.

Por isso, tenho vontade homenagear todas as pessoas que vivem e não olham a directrizes ou ao deve-ser que seguem os seus desejos e vontades mais profundas e intimas, que fazem da vida uma cruzada das suas vontades, até pode ser egoísta essa forma de estar, até pode ser hedonista, até pode ser discutível, até pode ser....mas nesta curta passagem é concerteza mais intensa e feliz!

quarta-feira

El Showbizz me Encanta

Vi pela primeira vez a cerimónia dos Óscares (juro que foi mesmo a primeira vez) e houve momentos de quase desistência, momentos de seca tremenda, farta da lamechice americana com ganas de serem universais e bons vizinhos. Primeiro a tirada maravilhosa da Ellen: este ano os Óscares são mesmo universais, além de americanos temos o México e a Espanha a concorrer! Realmente, eles só premiam ou seleccionam filmes e gente estrangeira no Óscar de melhor filme estrangeiro e fica o caso arrumado. além de ficarem contentes com dois países presentes para além do seu. Já dizia o outro que três pessoas são um ajuntamento ou uma célula com direito a voto no Comité Nacional de um qualquer partido anti-regime.

Percebo que a indústria cinematográfica americana seja avassaladora, toda a gente sabe disso, mas também não é preciso esfregarem-nos esse facto a toda a hora. É por isso que prestei mais atenção na altura da passadeira vermelha, assim como assim, o conteúdo dos Óscares em si se não é nulo, é quase, prefiro ver os vestidos e até havia vestimentas bonitas, pena que filmem só as gajas, os gajos nem vê-los, aqueles actores bonitões e tal. Só Nicoles e Jennifer Lopez com incríveis e vistosos vestidos.

Os apresentadores sabem os nomes dos estilistas todos, dos 200 vestidos que as estrelas passam ali que são sempre parecidos, não iguais, mas transparecem uma linha comum do que se usa este ano. Nestas cenas de passadeira vermelha parece-me sempre que o pessoal muda de vestido várias vezes, uma foto vai atrás do carro e muda de roupa. Porque são tantos flashes, tal é a confusão de gente a pedir que olhem para a objectiva que fico baralhada, até percebo porque é que as estrelas nessas situações não digam nada de jeito.

Se a mim me enfiassem dentro de belos vestidos estrelicados(um estrelicado mais larguito, é uma verdade), muita maquilhagem, cabelos hirtos e firmes e altos tacões- além de ficar linda- num corredor feito de paredes humanas com flashes, câmaras e jornalistas a chamarem por mim, não iria estar bem, é que antes ainda se via que havia plateia a esperar ansiosamente pelo cumprimento do ídolo da adolescência e da celerebridade de eleição, agora quase nada, só fotógrafos.

O que me lembra a Victoria Spice girl a chegar deslumbrante à after-party do Sir Elton Jonh, glamourosa que baste, a irradiar posse e efeito. Fiquei impressionada quando vi as imagens da pequena a olhar para a objectiva. Uma expressão plástica foi transmitida pelo televisor e ainda por cima, branca imaculada. Caricatura de si própria a Victória.

No que toca ao imenso saber dos repórteres da primeira linha do acontecimento, vejo invariavelmente as assessoras das celebridades e costureiros, bem como dos estúdios e agências que representam aquele pessoal a enviar comunicados de imprensa para divulgar o criador que veste a Nicole ou a Rainha, o que cria na minha cabeça a imagem acelerada dos emails e faxes que chegam às redacções, tudo num frenesim embalante. Resultado: o senhores chegam ali e debitam a velocidades incríveis os nomes dos estilistas. Gostei particularmente do vestido da J.Lo e da Helen Mirren, um clássico em pérola Christian Lacroix, eterno na verdade, a senhora estava muito bela, apesar de os rumores dizerem que ela não tinha soutien e foi à comando para a festa! Muito bom, todo o gossip que se gera à volta durante os dias seguintes. O Showbizz me encanta...

No que toca aos prémios em si, não fiquei muito surpreendida, quer dizer, não sou grande especialista na matéria, gosto mais do tapete, mas percebo porque premiaram o Marty, o senhor já fez filmes atrás de filmes, estava na cerimónia com um ar enfadado, acredito que tenha sofrido momentos de chateamento profundos pelas caras que fez, parecia que tinha estado a dormitar. Vê-se logo que o senhor já não tem idade para aquelas andanças, é preciso premiá-lo rapidamente, não se sabe se para o ano volta...

Enfim, pareceu-me que o filme mais curioso para se ver nos próximos tempos será El Laberinto del Fauno os tais estrangeiros que ganharam muitos Óscares, na verdade, a noite foi deles e ainda bem, sempre injectaram umas caras novas na coisa, outras formas de ver o cinema, o que é óptimo, não que me pareça que só deveriam ali estar a concurso filmes eruditos, freaks ou whatever, só que todo o processo me parece viciado e cizentão apesar dos vestidos coloridos das celebridades, das caras cheias de base, as limusines...tanto brilho cansa-me e faz-me perder a mensagem essencial, tal é o circo feito à volta dos prémios.

Já os filmes que ali concorrem também já vêem à partida saturados com as críticas e reviews e gossips, análises enfadonhas que aumentam ou diminuem o filme a belo prazer e me vão tirando vontade de ver a peça cinematográfica. Hypes atrás de hypes que se alimentam deles próprios, basta ver a capa do Ipsilóne desta sexta-feira: a má crítica criticada pela crítica que dá bolinhas aos filmes que não aprecia, mas que ironia das ironias são os filmes que público mais gosta e os Óscares nomeiam, baralhados? Eu também. É um trocadilho tipo o senhor sabe que eu sei que você sabe e afins. Boring tudo muito boring.

domingo

Os fins de semana são uma treta, só me apetece dormir e pastar, porém o meu cérebro tem vontade de fazer qualquer coisa para além disso, de molengar o dia todo. Faço muitas piscinas, atendo muita gente, falo e repito-me vezes sem conta durante o meu dia.

Tenho que estar motivada e feliz, sempre de sorriso nos lábios, tenho de pensar e elaborar estratégias de produtividade de cinco em cinco minutos, de cinco em cinco atendo uma dúvida existencial de alguém, de cinco em cinco dou aquele apoio e olhar compreensivo de quem ali está para o que der e vier. E tudo isto me esgota, conclusão: chego ao fim de semana e só quero sopas e descanso, sem antes ter putas e vinho verde, mais cerveja, música, festa e conversa, no entanto, e não raras vezes, sou bicho-do-mato, depois de ter esgotado as reservas que vou guardando religiosamente durante a semana, para estar com quem gosto nos dois dias de descanso, que rapidamente se esfumam, mesmo à frente dos meus olhos.

E acabo, sempre, por não conseguir fazer tudo o que quero, isto porque tudo o que me apetece fazer é nada!!!

quarta-feira

Gosto de pensar que a vida é longa, comprida, sem fim à vista com espaço e tempo para fazer tudo o que possa ter imaginado com espaço e tempo para experimentar tudo o que não tenha desejado com espaço e tempo...

Pode ser uma ilusão e à medida que a vida corre, apenas desejo caminhar nela, bem situada e preparada para saltar de galho em galho.

Ando surpreendida com ela, para quem arranjou um blogue com o intuito de escrever, deitar fora o que me feria e queimava, me enchia de ressentimento e raiva, nada mau! Curei-me, recuperei-me, reparei-me, cataloguei, arquivei e não esquecerei. Caminho numa outra estrada, sou senhora de vontades fortes e enraizadas...

sexta-feira

Agora percebo na pele que o problema do Mundo é estarmos sempre a viver e comunicar em esferas diferentes. Cada um de nós puxa a brasa à sua sardinha e pouco nos importamos com os da esfera abaixo ou acima de nós.

Sempre tive problemas na aceitação e convivência de hierarquias, mas bem vinda ao mundo real, a vida é feita de escalas de poder, influências, perguntas e respostas. Porém, não me canso de esgrimar e batalhar por o que acho que é justo e não me arrependo de empunhar o estandarte do que considero que é o mais certo. Eles fazem o que está certo na sua esfera e eu também faço o mais certo na minha, procurando sempre o entendimento e não me arrependerei. Sei-o, não escolho o caminho mais fácil, recuso-me, reconheço uma boa luta, sei quando me devo retirar e mesmo que não o saiba, não me recuso a aprender e a experimentar!

quarta-feira

Ryszard Kapuscinski foi um repórter polaco que fez a sua carreira de jornalista nas agências noticiosas e mais tarde escreveu uma série de livros para assim partilhar o que viu e viveu enquanto tentava fazer chegar ao Ocidente o que se passava no Terceiro Mundo, especificamente em África. Começou a sua carreira aos 17 anos numa revista polaca, formado em História, escreveu livros até ao fim da vida.

Pelo que li, este senhor tinha uma vontade imensa de partilhar e contar histórias de sítios bem distantes da nossa realidade e contribuiu como só os que são generosos o fazem, para a construção de pontes entre as nações e os povos. Li também uma entrevista que a Pública publicou em 1998, se não estou em erro, e fiquei com vontade de ler mais e mais, fiquei com vontade de ver as paisagens que este homem viu, de perceber a forma como olhava o mundo.

Também percebi que olhava o Mundo com crueza e sem grandes eufemismos, tal e qual como era. "Passeou" por África, viveu e partilhou com a gentes que se foi cruzando a mesma farinha e o mesmo chão onde várias vezes pernoitava e dai, trouxe histórias que concerteza o mudaram e mudaram quem o leu, nem que fosse num curto parágrafo.

Disse que actualmente não se faz jornalismo de qualidade, jornalismo que mostre e exponha assuntos de forma aprofundada e cuidada, salvaguardando sempre exemplos positivos. Para ele a televisão engoliu o verdadeiro jornalismo. Talvez por isso se tenha virado para a literatura, para ter tempo, espaço e atenção para reflectir e reconstruir as suas viagens e experiências. Kapuscinski viveu e exerceu um jornalismo militante e de causas e foi e é por jornalistas como ele que sempre quis ser jornalista.

Escreveu livros sobre o Xá do Irão e sobre o Imperador da Etiópia, o mítico Ras Tafari. Esteve lá, viu, conheceu, conversou e perguntou, quis saber mais e ir mais além, pensou e reflectiu. Estas são as directrizes de qualquer jornalista. Além dos livros, espero que tenha plantado árvores e tenha tido filhos. Parece-me uma boa e romântica semente para se deixar neste Plano.

Kapuscinksi, Ryszard nasceu a 4 Maio de 1932 em Pinsk na Bielorússia, morreu no dia 23 de Janeiro vítima de um ataque cardíaco, em Varsóvia na Polónia. Foi nomeado várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, foi condenado ao fuzilamento por 4 vezes, esteve em 12 frentes de batalha, presenciou e viveu 27 revoluções e golpes de Estado, conheceu parte considerável do Mundo. Sobre o facto de nunca ter ganho o Prémio Nobel da Literatura Ryszard disse numa entrevista à Reuters de 2006 que escreveu para "pessoas de qualquer lugar ainda suficientemente jovens para estarem curiosas sobre o mundo."

Ele manteve a curiosidade e vontade até à última e por isso, se deve ter mantido jovem até ao fim.

fontes: Wikipédia, Público e Pública

terça-feira

"Com um sorriso nunca estaremos sós."

Depois também há as amigas a rokarem: http://www.syzygy.com.pt/nav/novas.html ou myspace.com/syzygy1982!
Mayor Carmona Rodrigues e outros "ses"

Existe uma polémica nova à volta dos cortes orçamentais da Experimenta Design, depois da organização do evento ter já bastantes acordos estabelecidos inclusivamente com o Ministério da Economia e o Ministério da Cultura a Câmara Municipal de Lisboa decide retirar o pelos vistos, essencial apoio a esta iniciativa que faz já parte dos circuitos internacionais do design.

Admira-me que tudo isto se passe em simultâneo com toda a confusão que envolve o Presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues e o seu respectivo executivo no caso BragaParques. O homem está de cabeça perdida. Primeiro o vice-presidente da Câmara é constituído "informalmente" arguido no caso BragaParques (1), depois a Vereadora do Urbanismo e visto a confusão suspende o mandato por 8 meses, isto e porque segundo a mesma, os pais ensinaram-lhe melhor que isto e que quando uma pessoa se vê envolvida nestas polémicas, não são as directrizes ou fidelidades partidárias que devem pautar a nossa conduta, mas sim o que aprendemos em casa.... Ela lá sabe, cá para mim ela fugiu enquanto pode!

Entretanto o Mayor de todos os lisboetas aproveitou um dia destes para mostrar que a chefia deve ser sempre a primeira a dar o exemplo e por isso, declarou que se o Fontão de Carvalho seu vice-presidente e vereador da CM for efectivamente constituído arguido ele próprio se demite (2), mas como o pessoal é livre de se contradizer e aqueles que têm mais responsabilidades perante a sociedade civil são os que mais se desdizem, o excelentíssimo Presidente diz que mesmo que o Fontão seja considerado arguido, vai continuar a exercer o seu mandato até ao fim (3)!

Não sei, ninguém lhe pediu para se demitir, ele é que se chegou à frente para depois dizer que afinal quer é ficar sentadinho na cadeira do poder e ter a possibilidade de passar os fins de semana na casa de Monsanto, spot verde bem bonito e fresquinho, mesmo às portas de Lisboa com vista privilegiada sobre a cidade e também sobre fenómenos de exclusão e problemas sociais q.b.

Sejam as fontes destas notícias de pouca confiança, seja os jornalistas que querem é ver sangue ou até o Carmona que realmente o declarou, estamos na República das Bananas e é por isso que até acho possível que o Carmona tenha dito que se demitia se o Fontão for constituído oficialmente arguido. Deixo também o link para o comunicado da Experimenta - http://www.experimenta.pt/experimenta/pt/experimentadesign/exd07.htm e também aconselho mais uma pérola http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283971&idCanal=93, desta feita o D. José Policarpo explica porque é que a educação sexual é bem-vinda, mas apenas e só se transmitir os valores da castidade...

Aí os "ses", se os "ses" não existissem a nova vida seria tão monótona e o jornalismo actual estaria perdido.


(1) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283716
(2) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283925
(3) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283987&idCanal=21

sexta-feira

Hoje, no Metro pedi a intervenção do divino aqui no plano terreno. O que eu queria para o Natal apesar de este já ir longe e o meu desejo poder ser transferido para o Carnaval ou coisa que o valha, por favor acabem com a televisão no Metro e a publicidade no Cinema, ninguém merece.

quinta-feira

Dói-me a cabeça de tanto barulho: "é você e mais quem e usa internet, ouve rádio, qual?"Uma infinidade de perguntas inúteis e fúteis que rendem todos os dias o meu salário várias vezes, suspeita infundada mas que não é assim tão impossível de se dar. Vigio, guardo, direcciono um rebanho, uma horda de gente faladora e maçadora, mc´s sem tempo para respirar, lançam os melhores e mais cuidados flows, num discurso sempre igual, ora rápido, ora lento, mais alto ou mais sussurrado. Vozes simpáticas, ansiosas, dengosas escorregam pelos fios ópticos da PT directamente para sua casa.

Há dias em que a orquestra está realmente bem afinada e falam todos ao mesmo tempo, "o meu nome é ??? e estou a ligar da ???, que é uma empresa de ??? e tal e tal". Desconfio que não haja orquestra de génese espontex tão coordenada como esta! No entanto, duvido várias vezes das capacidades de aprendizagem de muita gente, conseguem decorar, mas tem graves problemas em resolver situações de conflito ou factos inusitados. Aquilo que poderia dar algum, mesmo que pouco prazer quando aqui estamos armados em autómatos seria o facto de do outro lado estarem pessoas como nós que muitas vezes têm relutância em serem tratadas como números de telefone, das quais apenas interessa a idade e o sexo e por isso, subvertem todo o telefonema. Daí tirei o relativo gozo possível de alguns meses de telefonemas anónimos e estatísticos, personagens e reacções várias, malucas, eram essas que me faziam recordar um pouco das 3 ou 4 horas que teria passado ao telefone. Sim, porque de resto, saía de lá e passado 30 minutos já nem sabia o que tinha estado a fazer, onde tinha estado a trabalhar.

Agora o trabalho não sai tão facilmente de cima, antes fosse, agora e várias vezes, mais do que desejaria ele dorme comigo. Dormes sozinha todos as noites? Não, tenho o trabalho! Não aquece os pés, não faz festinhas, apesar de não cheirar mal da boca não deixa dormir e invade os meus sonhos sem pedir licença.

Para falar dos que aqui se sentam durante estas 4 horas e incessantemente telefonam e maçam seriam precisas umas quatro ou cinco horas, cada um com a sua particularidade, há para todos os gostos. Ora de olhos parados e esbugalhados como quem daqui quer sair a voar, ora energéticos e novos, velhos e cansados, bancários, administrativos, estudantes e vendedores, há de tudo aqui. espelham a vida actual pelo simples facto de trabalharem mais todos os dias do que descansam, do que se divertem, do que se podem entregar ao ócio, ao divertimento, ao saber ou ao conhecimento ou tão simplesmente aos de quem gostam, ao passeio descontraído pela cidade ou por outras paragens, em troca, têm carros, casas, roupas e hábitos, contas para além do que poderiam suportar.

As semanas de selecção de novos colaboradores é uma risota pegada, também uma canseira, dificilmente quem vem às entrevistas tem vontade de falar sobre a sua experiência profissional ou do que o poderá motivar para ter mais um trabalho ou apenas este, também fico com a sensação que não sabem muito bem o que procuram, havendo mesmo pessoas que não sabem ao que vêem. A propósito desta última tive uma senhora que chegou uma hora atrasada à conversa que tínhamos marcado, lá se sentou na sala e quando comecei a explicar as condições e o horário do trabalho, a senhora não tem mais nada, levanta-se da sala e entre um fracamente entoado "Não estou interessada" sai da sala.... A minha alma de tão parva que ficou deixou-me sem reacção possível, desejei-lhe boa tarde e até lhe agradeci por cá ter vindo, Agradeço ainda hoje pela sinceridade e por me ter mostrado mais um tipo de pessoas, aquelas que tendo emprego, são esquisitas em fazer o que tem que fazer, sustentar-se a si e talvez a outros.

Nesta sala, maior parte das pessoas trabalham 12 horas por dia, quando aqui chegam às 6 ou 7 da tarde, trazem caras cansadas e corpos pesados, já tiveram a sua dose de exigências, ordens e patrões, tarefas, reuniões ou apenas e tão só o passar dos dias.

Tenho pena de não existir na sala uma janela com vista para a rua, só vejo destas três e grandes janelas o prédio da frente e as traseiras dos vizinhos, não se passa nada, é uma cidade fantasma, como está mau tempo os gatos não saem para se estenderem nos telhados, ninguém põem a roupa a secar ou usufrui dos pátios de rés do chão!

O movimento é aqui dentro, raras vezes existem momentos de silêncio absoluto, mas também os há e nessas alturas não se ouve uma mosca aqui dentro, todos param para ganhar fôlego, sem gente com quem falar do outro lado, o manto do calmo silêncio cai por aqui e é muito bem-vindo, por mim, porque daquele lado, poucas vezes se apercebem que ninguém está a falar, estão todos caladinhos, a descansar as cordas vocais e os olhos que parecem ventosas coladas ao monitor que lhes mostra sempre o mesmo script, a mesma lenga-lenga. Estas lengas-lengas instalam-se facilmente no nosso espírito como que por magia, lembro-me que na altura que as recitáva tinha pena de não decorar tão facilmente a matéria de Economia como decorei esta lenga-lenga que todos dizem literalmente e não raras vezes de olhos bem fechados.

Olhos bem fechados é o que temos de ter enquanto mortificamos mais um pouco a alma, enquanto mais um dia nos sentamos em call-centers, servimos cafés, aturamos chefes chatos, não entendemos certas e determinadas directrizes e nos interrogámos porque é quem trabalha não tem mais não detém mais do que produz?

Pode parecer uma questão ultrapassada, marxista até, mas nunca ninguém me respondeu até agora de forma satisfatória. São mais 40 anos!

sexta-feira

O tempo passa e por vezes nem me dou conta no lufa-lufa dos dias sempre mais ou menos iguais, que deveria tratar este portal para o desabafo mais gentilmente!

A Floribela, esse trunfo inesgotável da SIC habita todo o espectro infantil neste país, mas será possível que esta maléfica e intragável personagem faça anúncios para crianças, esteja sempre incluída em quase toda a programação da SIC, tenha musical, cd, dvd, roupa, sapatilhas, adereços e sei lá mais o quê? Já não aguento mais, ela é o Danoninho, ele é o especial passagem de ano, ela está em todas as capas de revista da especialidade semana sim, semana sim, domina as audiências e entorpece mais um bocadinho os cérebros das criancinhas, Arre que é demais, este Penim (director de programação da SIC) quer-nos levar à loucura e exaustão.

Esta é a estratégia televisiva de Portugal: eleger uma série e dá-la, repeti-la até não dar mais, até arranjarem outra produção nacional intragável e abaixo de qualquer crítica. Na TVI temos os Morangos com Açúcar e sim, venceram-nos pelo cansaço, ninguém já fala mal dos Morangos sem Piada, já ninguém se admira, estamos conformados e instalados no sofá lá de casa a ver a morangada especial Natal, especial São Martinho, especial o raio que os parta.

Mas melhor, melhor (e que normalmente se vê nestas épocas festivas) será sem dúvida "convidar" o elenco da série Jura para estar presente na passagem de ano na casa da Floribela(!!!) e como se não bastasse, convidam também a Teresa Guilherme e o próprio e dispensável Penim, dasse...não há limites à vista?

A RTP dá-lhe com o especial e extenso Dança Comigo no Campo Pequeno, a TVI com o Canta Por Mim e o pessoal da SIC não vai de modas e enfia todo o elenco das séries mais vistas na estação, na casa da fadinha mais ri-fixe de Portugal. Não esquecendo que continuam todos a vestir as personagens, misturando argumentos, referências e produções.
É mesmo, mas mesmo saturante

Já há algum tempo que me ocorreu escrever sobre a saturação da imagem dos gato fedorento, mas motivos maiores afastaram-me deste escape cibernético. Como tal, vou explanar o meu ponto de vista sobre esta saturação comercial que me incomoda.

Na realidade, nunca fui grande admiradora dos gato fedorento, acho que têm piada e que são inteligentes, no entanto, não raras vezes, cansam-me com a extensão dos sketches. Mesmo assim, reconheço o talento e até me irrita mais esta saturação dos 4 mal-cheirosos, anúncios por todo o lado, descobriram que a publicidade dá guito e não querem mais nada. No metro, na tv, na rádio, na imprensa, em todo o lado aqueles slogans da PT, que chatice.

Isto é próprio da publicidade, a descoberta de uma fórmula e a sua repetição até à exaustão, até mais ninguém em Portugal conseguir ouvir e ver os 4 amigos. Admira-me, e porque os considero inteligentes, que alinhem nesta saturação, overdose de piadas made-in gato fedorento. Todas as semanas na tv, nos spots da PT, na net...enfim.

A banalização é contraproducente, especialmente na área dos media, publicidade e mesmo em termos de estratégia comercial. Claro que presentemente não o é para quem os contracta como a PT que os escolheu para darem a cara dos seus produtos e para os próprios durante algum tempo também não. Porém, vai chegar a altura em que não o poderemos ver, juntando isso ao facto de as piadas actuais estarem a ficar demasiado óbvias e fáceis, o futuro será bem enfadonho.

Claro que é um programa para uma audiência vasta e generalista que terá que chegar a mais gente, que fale de assuntos de domínio geral e tal e tal, nada contra, só acho que ganhar dinheiro com publicidade nem sempre é a alternativa. São opiniões e quem quer dá-las, dá-las!

quinta-feira

Tributo a uma vida

Porque a vida cada vez vale menos este texto é um tributo à vida de um colega de trabalho que nos deixou da forma mais cruel e fria, fruto dos tempos. Tempos em que a vida só vale para quem nos ama e acompanha, vida que para quem não nos conhece é tão facilmente desvalorizada.

Não sei muito bem o que escrever sobre a ausência, sei que sinto um peso nos ombros, o peso da morte, o peso da surpresa, da admiração e do conformismo imediato com que a morte nos confronta.

Estejas onde estiveres, que esta nova etapa te sorria e que encontres a paz que ansiavas e te rodeies de seres que tal como tu, dão gargalhas sonoras e acreditam na vida sem nunca desistir.

quarta-feira

Ensino português? É favor de demolir e construir tudo de novo!

A esta hora a página do Público está recheada de pérolas, desde não existir sala para os deputados receberem a Comissão Temporária do Parlamento Europeu para deslindar os voos da CIA com prisoneiros de Guantamano e o envolvimento de Portugal no caso, até ao facto já mais que sabido, que apenas 2% da população planetária dividir entre si mais de 50% da riqueza mundial, segundo um estudo apresentado pelas Nações Unidas, passando pelas crianças letãs enviadas para prostituição para Portugal. Mas a que mais intrigada me deixou foi a apresentação de um estudo realizado pelo CIES sobre a discriminação nas escolas.

Pelos vistos, e segundo esta pesquisa que ainda não está completa, o sistema de ensino português agrava as desigualdades sociais. Isto é, a escola portuguesa discrimina "(...)os alunos por escolas, por turmas e por vias de ensino"(in Público, 06/12/06) o que e segundo o estudo agora apresentado, agrava as desigualdades sociais.

Ao analisarem vários estabelecimentos de ensino, os investigadores chegam à conclusão que existem escolas de primeira e escolas de segunda (dado que não é propriamente novo). As de primeira têm alunos de excelência, que reprovam menos e que inclusivamente, aprendem em equipamento e com equipamento melhor que os outros miúdos com menos sucesso escolar. Literalmente os maus alunos são empurrados para escolas onde as condições fisícas e os equipamentos são e estão mais degradados (penso cá para mim que deverão vir das escolas dos meninos inteligentes), a percentagem de alunos que chumbam é enorme e até o corpo docente nestas escolas é mais instável. Mesmo nas escolas onde coexistem alunos todo o tipo de alunos, a diferenciação é feita na composição das turmas: os bons alunos são todos colocados na mesma classe, enquanto os atrasados mentais e burros dos menos favorecidos a nível social, são colocados todos na mesma classe que é para os professores colarem a pestana mais rápido e absorverem bem que há alunos nos quais vale a pena investir, outros nem por isso.

O mais grave é que desde 2001 existem dados empíricos que alertam para este aspecto: o da escola contribuir para a desigualdade social e o que foi feito, nada, só para não variar.

No entanto, a violência cresce nas escolas e agora não é só entre os alunos, é também contra os professores e funcionários, os agentes que criam mais desigualdade num espaço que deveria ser de aprendizagem, onde os valores da igualdade perante as oportunidades e tratamento deveriam ser transmitidos e cultivados. Posto isto, apenas me ocorre escrever que o fascimo está presente nas instituições de ensino portuguesas e como tal, as consequências que daí advém serão brutais, não só dentro da escola como fora dela.

Os investigadores acrescentam ainda que se nos anos 70 e 80 depois do primeiro ciclo terminado, apenas os alunos de classes priveligiadas frequentavam a escola, presentemente a escola acolhe toda a gente, mas cria fossos e pratica desigualdades. Ainda está por apurar, pelos mesmo especialistas vários outros factores. Por enquanto, asseguram que todos estes factores de tratamento discriminatório são determinantes no que toca à violência que se faz sentir nas escolas portuguesas.

sexta-feira

Noites quentes e mal dormidas.
apetece escrever sem ler o que fica nas linhas do papel. a folha vazia não é uma angústia. angustiante é a vida e as suas escolhas, os caminhos que transformo em letras, pretas e espessas. no seu conjunto não raras vezes a preto e branco, vão colorindo o vendaval que sobre ti se abate.

ingenuamente, encho o lençol e sou invadida por um prazer aliviante, de esvaziar o recipiente pensante, aglutinador do mundo em mim.

alma que me atormenta nas noites de calor, sufoca o corpo e a mente, transborda do cérebro a lava incandescente do dilúvio temperamental do dia e noite que passa e se entreanha na pele. de onde vim sei... páro na estrada dos caminhos escuros, reluzentes de promessas, perco-me nos trilhos falsamente fáceis do percurso. entre as árvores os sons, cheiros e óasis de vidas e cores, iluminam a passagem, o futuro caminho. no meio e entre o ambicionado e o presente, braços de árvores centenárias, frondosos ramos cortam a vista. ir mais além.

casas aconchegantes e ternurentas, cheias de familariedades e cantos explorados, apinhados de rotinas e hábitos, umas vezes coloridos, umas vezes extenuantes e chatos. Nem um buraquinho desconhecido no chão do refúgio. Os animais e secretismos já não vivem aqui. Apenas o pó criado pela contemplação e hábito do conforto e aconchego.

quando sopra a brisa, o vislumbre, nada claustrofóbico do mar calmo e fresco, depois da falta de sombra, alimenta o desejo de mergulhar. novamente, no caos refrescante que vive em ti, em mim, por entre os prédios de vibrações rectas e altas, ondulantes de recheio orgânico. existir e sentir.
Agosto/06

segunda-feira

Outra vez o Aborto!
Vem aí o referendo do aborto e começa a polémica e discussão acessa dos partidários do sim e do não. Todos os dias se constituem novos Movimentos que têm por objectivo convencer os eleitores, o movimento dos médicos, os dos pela vida, pela escolha do feto, pela escolha da mulher... o de sempre.

Mas infelizmente e com tantos intervenientes, que mais ou menos contrariados intervêm na campanha pelo sim ou pelo não, poucos são os que falam e exigem que o Estado e seja qual for o veredicto final, ponha em marcha a tão necessária Educação Sexual nas escolas e que invista e reformule, já que estamos numa época de reformas, o Planeamento Familiar e o torne numa estratégia presente e efectiva.

A disciplina de Educação Sexual é fundamental para que aja uma verdadeira mudança das mentalidades e condutas sexuais de todos e todas. Assim sim, seria possível termos futuras gerações conscientes que saibam tomar decisões sobre o seu próprio corpo, vida e a gestação de uma outra. Sem juízos de valor, sem hipocrisias, sem tensões.

Sou a favor da legalização do aborto, o meu corpo é meu, a minha consciência é que decide e não admito que seja o Estado a dizer quando devo ou não ter um filho, constituir família ou que me diga se estou ou não preparada para o fazer.
No entanto, e depois de uma lei que já foi aprovada pelo Parlamento e atirada para o povo decidir com a história do referendo que dura há tanto tempo, já deveríamos estar no patamar seguinte, fazer com que a também já aprovada lei da Educação Sexual fosse realidade efectiva nas escolas portuguesas e não um plano longínquo e sem aplicação prática. A Educação Sexual é dada em várias disciplinas sem que aja um espaço aberto à discussão e ao esclarecimento, nas escolas. E não é só a questão da despenalização do aborto, é a prevenção das doenças infecto-contagiosas, é a responsabilização das pessoas e abertura da discussão dos afectos e da intimidade num espaço de educação e formação que é a escola.

Essa sim, não desfazendo a problemática da despenalização do aborto, é a discussão e o debate que precisamos de ter já de seguida. Mas essa é uma conversa atirada para as catacumbas do espaço público, dos programas do Governo e dos partidos da oposição, bem como dos inúmeros movimentos pró-aborto e pró-vida, o que em última análise é triste, porque vem confirmar, a meu ver, que sendo o aborto uma questão de saúde pública, não se aposta na prevenção e na educação, no esclarecimento dos espíritos e ninguém está preocupado em desfazer mitos e responder às questões dos adolescentes e jovens e os demais.
Se calhar, esta será mais uma questão onde estarei a ser utópica e lírica, mas devemos exigir o melhor e apenas e tão só a aplicação da lei, a Educação Sexual nas escolas portuguesas está normativizada, pronta a ser aplicada e há gente que é perita nestas questões.

terça-feira

Aventuras no Correios de Portugal

Ontem tentei ir aos correios no intervalo do trabalho, achei que 10 minutos dessem para enviar um mísero documento, já que existe uma máquina de selos, porém estava fora de serviço. Posto isto, tive que ficar na fila para conseguir comprar um selo e envelope de correio azul. Esperei 30 minutos e não consegui enviar a carta, acabei por dar a minha senha a uma senhora que lá estava.

Durante essa meia hora de espera disse mal da minha vida e especialmente dos Correios de Portugal. Não percebo esta gestão do trabalho, se existem máquinas que vendem selos, algumas até com balança, porque não tê-las a funcionar?

Já no outro dia quando tentei enviar uma outra carta, me vi obrigada a esperar pelo atendimento geral, a máquina dos selos que até tinha balança não tinha trocos, o sistema estáva marado, porque a máquina não conseguia acabar as duas acções necessárias: pesar e processar o valor do selo que teria que pagar, lá fui eu entupir as filas do correio desnecessariamente...

Se estas máquinas existem é para nos facilitar a vida, para agilizar o processo, para evitar que meia hora antes do fecho dos correios estejam mais de 20 pessoas para serem atendidas.

Aqueles envelopes verdes que pelos vistos não precisam nem de selo, nem de serem pesados deveriam ser vendido em máquinas semelhantes às dos selos, para que nos tornemos mais autónomos dos funcionários dos correios, para que só recorramos quando é realmente necessário, porque a mão humana vai continuar a ser precisa em muitas outras coisas e ainda bem que assim é.

No entanto, os correios parecem um qualquer quiosque, livraria vende de tudo e quanto maior for mais coisas tem disponível para os clientes. Mas o propósito dos correio, pelos vistos, é vender livros do Paulo Coelho ou canecas do Noddy não vender selos, enviar correspondência, pagar facturas, pesar cartas...

Gastasse dinheiro inutilmente a inventar aquelas máquinazinhas que são tão úteis e não são usadas pelos utentes, gastasse dinheiro nos envelopes verdes e na publicidade que lhe fizeram, mas nos correios não são assim tão acessíveis.

Esta meia hora à porta dos Correios foi óptima, além deste despesismo de recursos, assisti a episódios próprios de 3º mundo, não é que um conductor de Audi que queria ir ao correio, estacionou o seu carro mesmo em cima do passeio em frente à agência dos correios, onde uns putos jogavam à bola!

Estava o conductor a sair do carro, mesmo a fechar a porta e passa um polícia de trânsito, olha para o senhor infractor, para o carro e segue serenamente para a esquadra mesmo ali ao lado. Haja civismo que resista e haja esperança que nos faça acreditar que tudo poderá melhorar.

Hoje voltei aos correios, mais sossegados por sinal e noutro ponto da cidade, tudo corria bem até ter pedido factura de uma encomenda que enviei, é verdade que eram apenas 2,10€, mas tenho esse direito, logo tive que aguentar a cara feia da funcionária que além de mim, atendia mais duas pessoas. Como também comprei um selo, disse-lhe que não o incluisse na factura e que para isso não era necessário, ao que a funcionária me prespega com os dois recibos com um ar incomodado como se me fizesse um favor. Digo-lhe bom dia e obrigado, fazendo de conta que não percebi o seu incómodo, e levo com um olhar de esguelha...

Desculpe lá, não a queria chatear!!!

segunda-feira

Conversas nocturnas - The night shift
O tópico do fim-de-semana: ganhar o Euromilhões e a discussão de todas as possibilidades que tal montante de dinheiro daria a estas vidas de remediados.

Penso nisso durante a conversa e lá consigo manifestar-me, 4 da manhã, tinha jantado às 8 da noite, isto, aquele-outro e o Festival Número por cima...acho que...não sei bem, ficaria feliz, contente, poderia realizar planos malucos e não sei talvez angustiada, nervosa, desconfiada...ia para Marte, não queria mais estar aqui, tanto dinheiro...

E na realidade, tal possibilidade é tão remota que não faço ideia do que lhe faria. Nos primeiros tempos sim, claro...curtia bem depois de ter tomado as primeiras e poucas medidas que se deve tomar depois de nos sair a sorte grande. Viagens, viagens, visitas a amigos, fazer outros, ver outras paragens, tirar fotos, falar com pessoas, ver novas cidades, comprar roupas e sair à noite ver espectáculos e comprar livros, música e blá, blá, blá e depois?

Das duas umas: ou o que teria visto me tinha inspirado tremendamente e as ideias tinham brotado que nem cogumelos ou simplesmente não saberia o que lhe fazer para além do curriquiero e evidente: tipo dar dinheiro à famelga, mudar algumas vidas que nos são queridas dando-lhes capital para sonhos e projectos ou uma qualquer boa acção, para lá disso que faria com a minha vida e tanto dinheiro?

Ocorrem-me duas hipóteses: ao viajar, conhecer e disfrutar teriam brotado ideias e planos visualizados ao mílimetro ou então fechava-me numa ilha deserta a escrever um testamento com as directrizes do que teria feito com tanto dinheiro, se me tivesse dedicado a ele. Fruto da angústia que este me criára, fechára-me na ilha deserta com uma casa maravilhosa e um campo de cultivo...lá se ia o dinheiro!