quarta-feira

Ryszard Kapuscinski foi um repórter polaco que fez a sua carreira de jornalista nas agências noticiosas e mais tarde escreveu uma série de livros para assim partilhar o que viu e viveu enquanto tentava fazer chegar ao Ocidente o que se passava no Terceiro Mundo, especificamente em África. Começou a sua carreira aos 17 anos numa revista polaca, formado em História, escreveu livros até ao fim da vida.

Pelo que li, este senhor tinha uma vontade imensa de partilhar e contar histórias de sítios bem distantes da nossa realidade e contribuiu como só os que são generosos o fazem, para a construção de pontes entre as nações e os povos. Li também uma entrevista que a Pública publicou em 1998, se não estou em erro, e fiquei com vontade de ler mais e mais, fiquei com vontade de ver as paisagens que este homem viu, de perceber a forma como olhava o mundo.

Também percebi que olhava o Mundo com crueza e sem grandes eufemismos, tal e qual como era. "Passeou" por África, viveu e partilhou com a gentes que se foi cruzando a mesma farinha e o mesmo chão onde várias vezes pernoitava e dai, trouxe histórias que concerteza o mudaram e mudaram quem o leu, nem que fosse num curto parágrafo.

Disse que actualmente não se faz jornalismo de qualidade, jornalismo que mostre e exponha assuntos de forma aprofundada e cuidada, salvaguardando sempre exemplos positivos. Para ele a televisão engoliu o verdadeiro jornalismo. Talvez por isso se tenha virado para a literatura, para ter tempo, espaço e atenção para reflectir e reconstruir as suas viagens e experiências. Kapuscinski viveu e exerceu um jornalismo militante e de causas e foi e é por jornalistas como ele que sempre quis ser jornalista.

Escreveu livros sobre o Xá do Irão e sobre o Imperador da Etiópia, o mítico Ras Tafari. Esteve lá, viu, conheceu, conversou e perguntou, quis saber mais e ir mais além, pensou e reflectiu. Estas são as directrizes de qualquer jornalista. Além dos livros, espero que tenha plantado árvores e tenha tido filhos. Parece-me uma boa e romântica semente para se deixar neste Plano.

Kapuscinksi, Ryszard nasceu a 4 Maio de 1932 em Pinsk na Bielorússia, morreu no dia 23 de Janeiro vítima de um ataque cardíaco, em Varsóvia na Polónia. Foi nomeado várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, foi condenado ao fuzilamento por 4 vezes, esteve em 12 frentes de batalha, presenciou e viveu 27 revoluções e golpes de Estado, conheceu parte considerável do Mundo. Sobre o facto de nunca ter ganho o Prémio Nobel da Literatura Ryszard disse numa entrevista à Reuters de 2006 que escreveu para "pessoas de qualquer lugar ainda suficientemente jovens para estarem curiosas sobre o mundo."

Ele manteve a curiosidade e vontade até à última e por isso, se deve ter mantido jovem até ao fim.

fontes: Wikipédia, Público e Pública

terça-feira

"Com um sorriso nunca estaremos sós."

Depois também há as amigas a rokarem: http://www.syzygy.com.pt/nav/novas.html ou myspace.com/syzygy1982!
Mayor Carmona Rodrigues e outros "ses"

Existe uma polémica nova à volta dos cortes orçamentais da Experimenta Design, depois da organização do evento ter já bastantes acordos estabelecidos inclusivamente com o Ministério da Economia e o Ministério da Cultura a Câmara Municipal de Lisboa decide retirar o pelos vistos, essencial apoio a esta iniciativa que faz já parte dos circuitos internacionais do design.

Admira-me que tudo isto se passe em simultâneo com toda a confusão que envolve o Presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues e o seu respectivo executivo no caso BragaParques. O homem está de cabeça perdida. Primeiro o vice-presidente da Câmara é constituído "informalmente" arguido no caso BragaParques (1), depois a Vereadora do Urbanismo e visto a confusão suspende o mandato por 8 meses, isto e porque segundo a mesma, os pais ensinaram-lhe melhor que isto e que quando uma pessoa se vê envolvida nestas polémicas, não são as directrizes ou fidelidades partidárias que devem pautar a nossa conduta, mas sim o que aprendemos em casa.... Ela lá sabe, cá para mim ela fugiu enquanto pode!

Entretanto o Mayor de todos os lisboetas aproveitou um dia destes para mostrar que a chefia deve ser sempre a primeira a dar o exemplo e por isso, declarou que se o Fontão de Carvalho seu vice-presidente e vereador da CM for efectivamente constituído arguido ele próprio se demite (2), mas como o pessoal é livre de se contradizer e aqueles que têm mais responsabilidades perante a sociedade civil são os que mais se desdizem, o excelentíssimo Presidente diz que mesmo que o Fontão seja considerado arguido, vai continuar a exercer o seu mandato até ao fim (3)!

Não sei, ninguém lhe pediu para se demitir, ele é que se chegou à frente para depois dizer que afinal quer é ficar sentadinho na cadeira do poder e ter a possibilidade de passar os fins de semana na casa de Monsanto, spot verde bem bonito e fresquinho, mesmo às portas de Lisboa com vista privilegiada sobre a cidade e também sobre fenómenos de exclusão e problemas sociais q.b.

Sejam as fontes destas notícias de pouca confiança, seja os jornalistas que querem é ver sangue ou até o Carmona que realmente o declarou, estamos na República das Bananas e é por isso que até acho possível que o Carmona tenha dito que se demitia se o Fontão for constituído oficialmente arguido. Deixo também o link para o comunicado da Experimenta - http://www.experimenta.pt/experimenta/pt/experimentadesign/exd07.htm e também aconselho mais uma pérola http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283971&idCanal=93, desta feita o D. José Policarpo explica porque é que a educação sexual é bem-vinda, mas apenas e só se transmitir os valores da castidade...

Aí os "ses", se os "ses" não existissem a nova vida seria tão monótona e o jornalismo actual estaria perdido.


(1) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283716
(2) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283925
(3) - http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1283987&idCanal=21

sexta-feira

Hoje, no Metro pedi a intervenção do divino aqui no plano terreno. O que eu queria para o Natal apesar de este já ir longe e o meu desejo poder ser transferido para o Carnaval ou coisa que o valha, por favor acabem com a televisão no Metro e a publicidade no Cinema, ninguém merece.

quinta-feira

Dói-me a cabeça de tanto barulho: "é você e mais quem e usa internet, ouve rádio, qual?"Uma infinidade de perguntas inúteis e fúteis que rendem todos os dias o meu salário várias vezes, suspeita infundada mas que não é assim tão impossível de se dar. Vigio, guardo, direcciono um rebanho, uma horda de gente faladora e maçadora, mc´s sem tempo para respirar, lançam os melhores e mais cuidados flows, num discurso sempre igual, ora rápido, ora lento, mais alto ou mais sussurrado. Vozes simpáticas, ansiosas, dengosas escorregam pelos fios ópticos da PT directamente para sua casa.

Há dias em que a orquestra está realmente bem afinada e falam todos ao mesmo tempo, "o meu nome é ??? e estou a ligar da ???, que é uma empresa de ??? e tal e tal". Desconfio que não haja orquestra de génese espontex tão coordenada como esta! No entanto, duvido várias vezes das capacidades de aprendizagem de muita gente, conseguem decorar, mas tem graves problemas em resolver situações de conflito ou factos inusitados. Aquilo que poderia dar algum, mesmo que pouco prazer quando aqui estamos armados em autómatos seria o facto de do outro lado estarem pessoas como nós que muitas vezes têm relutância em serem tratadas como números de telefone, das quais apenas interessa a idade e o sexo e por isso, subvertem todo o telefonema. Daí tirei o relativo gozo possível de alguns meses de telefonemas anónimos e estatísticos, personagens e reacções várias, malucas, eram essas que me faziam recordar um pouco das 3 ou 4 horas que teria passado ao telefone. Sim, porque de resto, saía de lá e passado 30 minutos já nem sabia o que tinha estado a fazer, onde tinha estado a trabalhar.

Agora o trabalho não sai tão facilmente de cima, antes fosse, agora e várias vezes, mais do que desejaria ele dorme comigo. Dormes sozinha todos as noites? Não, tenho o trabalho! Não aquece os pés, não faz festinhas, apesar de não cheirar mal da boca não deixa dormir e invade os meus sonhos sem pedir licença.

Para falar dos que aqui se sentam durante estas 4 horas e incessantemente telefonam e maçam seriam precisas umas quatro ou cinco horas, cada um com a sua particularidade, há para todos os gostos. Ora de olhos parados e esbugalhados como quem daqui quer sair a voar, ora energéticos e novos, velhos e cansados, bancários, administrativos, estudantes e vendedores, há de tudo aqui. espelham a vida actual pelo simples facto de trabalharem mais todos os dias do que descansam, do que se divertem, do que se podem entregar ao ócio, ao divertimento, ao saber ou ao conhecimento ou tão simplesmente aos de quem gostam, ao passeio descontraído pela cidade ou por outras paragens, em troca, têm carros, casas, roupas e hábitos, contas para além do que poderiam suportar.

As semanas de selecção de novos colaboradores é uma risota pegada, também uma canseira, dificilmente quem vem às entrevistas tem vontade de falar sobre a sua experiência profissional ou do que o poderá motivar para ter mais um trabalho ou apenas este, também fico com a sensação que não sabem muito bem o que procuram, havendo mesmo pessoas que não sabem ao que vêem. A propósito desta última tive uma senhora que chegou uma hora atrasada à conversa que tínhamos marcado, lá se sentou na sala e quando comecei a explicar as condições e o horário do trabalho, a senhora não tem mais nada, levanta-se da sala e entre um fracamente entoado "Não estou interessada" sai da sala.... A minha alma de tão parva que ficou deixou-me sem reacção possível, desejei-lhe boa tarde e até lhe agradeci por cá ter vindo, Agradeço ainda hoje pela sinceridade e por me ter mostrado mais um tipo de pessoas, aquelas que tendo emprego, são esquisitas em fazer o que tem que fazer, sustentar-se a si e talvez a outros.

Nesta sala, maior parte das pessoas trabalham 12 horas por dia, quando aqui chegam às 6 ou 7 da tarde, trazem caras cansadas e corpos pesados, já tiveram a sua dose de exigências, ordens e patrões, tarefas, reuniões ou apenas e tão só o passar dos dias.

Tenho pena de não existir na sala uma janela com vista para a rua, só vejo destas três e grandes janelas o prédio da frente e as traseiras dos vizinhos, não se passa nada, é uma cidade fantasma, como está mau tempo os gatos não saem para se estenderem nos telhados, ninguém põem a roupa a secar ou usufrui dos pátios de rés do chão!

O movimento é aqui dentro, raras vezes existem momentos de silêncio absoluto, mas também os há e nessas alturas não se ouve uma mosca aqui dentro, todos param para ganhar fôlego, sem gente com quem falar do outro lado, o manto do calmo silêncio cai por aqui e é muito bem-vindo, por mim, porque daquele lado, poucas vezes se apercebem que ninguém está a falar, estão todos caladinhos, a descansar as cordas vocais e os olhos que parecem ventosas coladas ao monitor que lhes mostra sempre o mesmo script, a mesma lenga-lenga. Estas lengas-lengas instalam-se facilmente no nosso espírito como que por magia, lembro-me que na altura que as recitáva tinha pena de não decorar tão facilmente a matéria de Economia como decorei esta lenga-lenga que todos dizem literalmente e não raras vezes de olhos bem fechados.

Olhos bem fechados é o que temos de ter enquanto mortificamos mais um pouco a alma, enquanto mais um dia nos sentamos em call-centers, servimos cafés, aturamos chefes chatos, não entendemos certas e determinadas directrizes e nos interrogámos porque é quem trabalha não tem mais não detém mais do que produz?

Pode parecer uma questão ultrapassada, marxista até, mas nunca ninguém me respondeu até agora de forma satisfatória. São mais 40 anos!

sexta-feira

O tempo passa e por vezes nem me dou conta no lufa-lufa dos dias sempre mais ou menos iguais, que deveria tratar este portal para o desabafo mais gentilmente!

A Floribela, esse trunfo inesgotável da SIC habita todo o espectro infantil neste país, mas será possível que esta maléfica e intragável personagem faça anúncios para crianças, esteja sempre incluída em quase toda a programação da SIC, tenha musical, cd, dvd, roupa, sapatilhas, adereços e sei lá mais o quê? Já não aguento mais, ela é o Danoninho, ele é o especial passagem de ano, ela está em todas as capas de revista da especialidade semana sim, semana sim, domina as audiências e entorpece mais um bocadinho os cérebros das criancinhas, Arre que é demais, este Penim (director de programação da SIC) quer-nos levar à loucura e exaustão.

Esta é a estratégia televisiva de Portugal: eleger uma série e dá-la, repeti-la até não dar mais, até arranjarem outra produção nacional intragável e abaixo de qualquer crítica. Na TVI temos os Morangos com Açúcar e sim, venceram-nos pelo cansaço, ninguém já fala mal dos Morangos sem Piada, já ninguém se admira, estamos conformados e instalados no sofá lá de casa a ver a morangada especial Natal, especial São Martinho, especial o raio que os parta.

Mas melhor, melhor (e que normalmente se vê nestas épocas festivas) será sem dúvida "convidar" o elenco da série Jura para estar presente na passagem de ano na casa da Floribela(!!!) e como se não bastasse, convidam também a Teresa Guilherme e o próprio e dispensável Penim, dasse...não há limites à vista?

A RTP dá-lhe com o especial e extenso Dança Comigo no Campo Pequeno, a TVI com o Canta Por Mim e o pessoal da SIC não vai de modas e enfia todo o elenco das séries mais vistas na estação, na casa da fadinha mais ri-fixe de Portugal. Não esquecendo que continuam todos a vestir as personagens, misturando argumentos, referências e produções.
É mesmo, mas mesmo saturante

Já há algum tempo que me ocorreu escrever sobre a saturação da imagem dos gato fedorento, mas motivos maiores afastaram-me deste escape cibernético. Como tal, vou explanar o meu ponto de vista sobre esta saturação comercial que me incomoda.

Na realidade, nunca fui grande admiradora dos gato fedorento, acho que têm piada e que são inteligentes, no entanto, não raras vezes, cansam-me com a extensão dos sketches. Mesmo assim, reconheço o talento e até me irrita mais esta saturação dos 4 mal-cheirosos, anúncios por todo o lado, descobriram que a publicidade dá guito e não querem mais nada. No metro, na tv, na rádio, na imprensa, em todo o lado aqueles slogans da PT, que chatice.

Isto é próprio da publicidade, a descoberta de uma fórmula e a sua repetição até à exaustão, até mais ninguém em Portugal conseguir ouvir e ver os 4 amigos. Admira-me, e porque os considero inteligentes, que alinhem nesta saturação, overdose de piadas made-in gato fedorento. Todas as semanas na tv, nos spots da PT, na net...enfim.

A banalização é contraproducente, especialmente na área dos media, publicidade e mesmo em termos de estratégia comercial. Claro que presentemente não o é para quem os contracta como a PT que os escolheu para darem a cara dos seus produtos e para os próprios durante algum tempo também não. Porém, vai chegar a altura em que não o poderemos ver, juntando isso ao facto de as piadas actuais estarem a ficar demasiado óbvias e fáceis, o futuro será bem enfadonho.

Claro que é um programa para uma audiência vasta e generalista que terá que chegar a mais gente, que fale de assuntos de domínio geral e tal e tal, nada contra, só acho que ganhar dinheiro com publicidade nem sempre é a alternativa. São opiniões e quem quer dá-las, dá-las!

quinta-feira

Tributo a uma vida

Porque a vida cada vez vale menos este texto é um tributo à vida de um colega de trabalho que nos deixou da forma mais cruel e fria, fruto dos tempos. Tempos em que a vida só vale para quem nos ama e acompanha, vida que para quem não nos conhece é tão facilmente desvalorizada.

Não sei muito bem o que escrever sobre a ausência, sei que sinto um peso nos ombros, o peso da morte, o peso da surpresa, da admiração e do conformismo imediato com que a morte nos confronta.

Estejas onde estiveres, que esta nova etapa te sorria e que encontres a paz que ansiavas e te rodeies de seres que tal como tu, dão gargalhas sonoras e acreditam na vida sem nunca desistir.

quarta-feira

Ensino português? É favor de demolir e construir tudo de novo!

A esta hora a página do Público está recheada de pérolas, desde não existir sala para os deputados receberem a Comissão Temporária do Parlamento Europeu para deslindar os voos da CIA com prisoneiros de Guantamano e o envolvimento de Portugal no caso, até ao facto já mais que sabido, que apenas 2% da população planetária dividir entre si mais de 50% da riqueza mundial, segundo um estudo apresentado pelas Nações Unidas, passando pelas crianças letãs enviadas para prostituição para Portugal. Mas a que mais intrigada me deixou foi a apresentação de um estudo realizado pelo CIES sobre a discriminação nas escolas.

Pelos vistos, e segundo esta pesquisa que ainda não está completa, o sistema de ensino português agrava as desigualdades sociais. Isto é, a escola portuguesa discrimina "(...)os alunos por escolas, por turmas e por vias de ensino"(in Público, 06/12/06) o que e segundo o estudo agora apresentado, agrava as desigualdades sociais.

Ao analisarem vários estabelecimentos de ensino, os investigadores chegam à conclusão que existem escolas de primeira e escolas de segunda (dado que não é propriamente novo). As de primeira têm alunos de excelência, que reprovam menos e que inclusivamente, aprendem em equipamento e com equipamento melhor que os outros miúdos com menos sucesso escolar. Literalmente os maus alunos são empurrados para escolas onde as condições fisícas e os equipamentos são e estão mais degradados (penso cá para mim que deverão vir das escolas dos meninos inteligentes), a percentagem de alunos que chumbam é enorme e até o corpo docente nestas escolas é mais instável. Mesmo nas escolas onde coexistem alunos todo o tipo de alunos, a diferenciação é feita na composição das turmas: os bons alunos são todos colocados na mesma classe, enquanto os atrasados mentais e burros dos menos favorecidos a nível social, são colocados todos na mesma classe que é para os professores colarem a pestana mais rápido e absorverem bem que há alunos nos quais vale a pena investir, outros nem por isso.

O mais grave é que desde 2001 existem dados empíricos que alertam para este aspecto: o da escola contribuir para a desigualdade social e o que foi feito, nada, só para não variar.

No entanto, a violência cresce nas escolas e agora não é só entre os alunos, é também contra os professores e funcionários, os agentes que criam mais desigualdade num espaço que deveria ser de aprendizagem, onde os valores da igualdade perante as oportunidades e tratamento deveriam ser transmitidos e cultivados. Posto isto, apenas me ocorre escrever que o fascimo está presente nas instituições de ensino portuguesas e como tal, as consequências que daí advém serão brutais, não só dentro da escola como fora dela.

Os investigadores acrescentam ainda que se nos anos 70 e 80 depois do primeiro ciclo terminado, apenas os alunos de classes priveligiadas frequentavam a escola, presentemente a escola acolhe toda a gente, mas cria fossos e pratica desigualdades. Ainda está por apurar, pelos mesmo especialistas vários outros factores. Por enquanto, asseguram que todos estes factores de tratamento discriminatório são determinantes no que toca à violência que se faz sentir nas escolas portuguesas.

sexta-feira

Noites quentes e mal dormidas.
apetece escrever sem ler o que fica nas linhas do papel. a folha vazia não é uma angústia. angustiante é a vida e as suas escolhas, os caminhos que transformo em letras, pretas e espessas. no seu conjunto não raras vezes a preto e branco, vão colorindo o vendaval que sobre ti se abate.

ingenuamente, encho o lençol e sou invadida por um prazer aliviante, de esvaziar o recipiente pensante, aglutinador do mundo em mim.

alma que me atormenta nas noites de calor, sufoca o corpo e a mente, transborda do cérebro a lava incandescente do dilúvio temperamental do dia e noite que passa e se entreanha na pele. de onde vim sei... páro na estrada dos caminhos escuros, reluzentes de promessas, perco-me nos trilhos falsamente fáceis do percurso. entre as árvores os sons, cheiros e óasis de vidas e cores, iluminam a passagem, o futuro caminho. no meio e entre o ambicionado e o presente, braços de árvores centenárias, frondosos ramos cortam a vista. ir mais além.

casas aconchegantes e ternurentas, cheias de familariedades e cantos explorados, apinhados de rotinas e hábitos, umas vezes coloridos, umas vezes extenuantes e chatos. Nem um buraquinho desconhecido no chão do refúgio. Os animais e secretismos já não vivem aqui. Apenas o pó criado pela contemplação e hábito do conforto e aconchego.

quando sopra a brisa, o vislumbre, nada claustrofóbico do mar calmo e fresco, depois da falta de sombra, alimenta o desejo de mergulhar. novamente, no caos refrescante que vive em ti, em mim, por entre os prédios de vibrações rectas e altas, ondulantes de recheio orgânico. existir e sentir.
Agosto/06

segunda-feira

Outra vez o Aborto!
Vem aí o referendo do aborto e começa a polémica e discussão acessa dos partidários do sim e do não. Todos os dias se constituem novos Movimentos que têm por objectivo convencer os eleitores, o movimento dos médicos, os dos pela vida, pela escolha do feto, pela escolha da mulher... o de sempre.

Mas infelizmente e com tantos intervenientes, que mais ou menos contrariados intervêm na campanha pelo sim ou pelo não, poucos são os que falam e exigem que o Estado e seja qual for o veredicto final, ponha em marcha a tão necessária Educação Sexual nas escolas e que invista e reformule, já que estamos numa época de reformas, o Planeamento Familiar e o torne numa estratégia presente e efectiva.

A disciplina de Educação Sexual é fundamental para que aja uma verdadeira mudança das mentalidades e condutas sexuais de todos e todas. Assim sim, seria possível termos futuras gerações conscientes que saibam tomar decisões sobre o seu próprio corpo, vida e a gestação de uma outra. Sem juízos de valor, sem hipocrisias, sem tensões.

Sou a favor da legalização do aborto, o meu corpo é meu, a minha consciência é que decide e não admito que seja o Estado a dizer quando devo ou não ter um filho, constituir família ou que me diga se estou ou não preparada para o fazer.
No entanto, e depois de uma lei que já foi aprovada pelo Parlamento e atirada para o povo decidir com a história do referendo que dura há tanto tempo, já deveríamos estar no patamar seguinte, fazer com que a também já aprovada lei da Educação Sexual fosse realidade efectiva nas escolas portuguesas e não um plano longínquo e sem aplicação prática. A Educação Sexual é dada em várias disciplinas sem que aja um espaço aberto à discussão e ao esclarecimento, nas escolas. E não é só a questão da despenalização do aborto, é a prevenção das doenças infecto-contagiosas, é a responsabilização das pessoas e abertura da discussão dos afectos e da intimidade num espaço de educação e formação que é a escola.

Essa sim, não desfazendo a problemática da despenalização do aborto, é a discussão e o debate que precisamos de ter já de seguida. Mas essa é uma conversa atirada para as catacumbas do espaço público, dos programas do Governo e dos partidos da oposição, bem como dos inúmeros movimentos pró-aborto e pró-vida, o que em última análise é triste, porque vem confirmar, a meu ver, que sendo o aborto uma questão de saúde pública, não se aposta na prevenção e na educação, no esclarecimento dos espíritos e ninguém está preocupado em desfazer mitos e responder às questões dos adolescentes e jovens e os demais.
Se calhar, esta será mais uma questão onde estarei a ser utópica e lírica, mas devemos exigir o melhor e apenas e tão só a aplicação da lei, a Educação Sexual nas escolas portuguesas está normativizada, pronta a ser aplicada e há gente que é perita nestas questões.

terça-feira

Aventuras no Correios de Portugal

Ontem tentei ir aos correios no intervalo do trabalho, achei que 10 minutos dessem para enviar um mísero documento, já que existe uma máquina de selos, porém estava fora de serviço. Posto isto, tive que ficar na fila para conseguir comprar um selo e envelope de correio azul. Esperei 30 minutos e não consegui enviar a carta, acabei por dar a minha senha a uma senhora que lá estava.

Durante essa meia hora de espera disse mal da minha vida e especialmente dos Correios de Portugal. Não percebo esta gestão do trabalho, se existem máquinas que vendem selos, algumas até com balança, porque não tê-las a funcionar?

Já no outro dia quando tentei enviar uma outra carta, me vi obrigada a esperar pelo atendimento geral, a máquina dos selos que até tinha balança não tinha trocos, o sistema estáva marado, porque a máquina não conseguia acabar as duas acções necessárias: pesar e processar o valor do selo que teria que pagar, lá fui eu entupir as filas do correio desnecessariamente...

Se estas máquinas existem é para nos facilitar a vida, para agilizar o processo, para evitar que meia hora antes do fecho dos correios estejam mais de 20 pessoas para serem atendidas.

Aqueles envelopes verdes que pelos vistos não precisam nem de selo, nem de serem pesados deveriam ser vendido em máquinas semelhantes às dos selos, para que nos tornemos mais autónomos dos funcionários dos correios, para que só recorramos quando é realmente necessário, porque a mão humana vai continuar a ser precisa em muitas outras coisas e ainda bem que assim é.

No entanto, os correios parecem um qualquer quiosque, livraria vende de tudo e quanto maior for mais coisas tem disponível para os clientes. Mas o propósito dos correio, pelos vistos, é vender livros do Paulo Coelho ou canecas do Noddy não vender selos, enviar correspondência, pagar facturas, pesar cartas...

Gastasse dinheiro inutilmente a inventar aquelas máquinazinhas que são tão úteis e não são usadas pelos utentes, gastasse dinheiro nos envelopes verdes e na publicidade que lhe fizeram, mas nos correios não são assim tão acessíveis.

Esta meia hora à porta dos Correios foi óptima, além deste despesismo de recursos, assisti a episódios próprios de 3º mundo, não é que um conductor de Audi que queria ir ao correio, estacionou o seu carro mesmo em cima do passeio em frente à agência dos correios, onde uns putos jogavam à bola!

Estava o conductor a sair do carro, mesmo a fechar a porta e passa um polícia de trânsito, olha para o senhor infractor, para o carro e segue serenamente para a esquadra mesmo ali ao lado. Haja civismo que resista e haja esperança que nos faça acreditar que tudo poderá melhorar.

Hoje voltei aos correios, mais sossegados por sinal e noutro ponto da cidade, tudo corria bem até ter pedido factura de uma encomenda que enviei, é verdade que eram apenas 2,10€, mas tenho esse direito, logo tive que aguentar a cara feia da funcionária que além de mim, atendia mais duas pessoas. Como também comprei um selo, disse-lhe que não o incluisse na factura e que para isso não era necessário, ao que a funcionária me prespega com os dois recibos com um ar incomodado como se me fizesse um favor. Digo-lhe bom dia e obrigado, fazendo de conta que não percebi o seu incómodo, e levo com um olhar de esguelha...

Desculpe lá, não a queria chatear!!!

segunda-feira

Conversas nocturnas - The night shift
O tópico do fim-de-semana: ganhar o Euromilhões e a discussão de todas as possibilidades que tal montante de dinheiro daria a estas vidas de remediados.

Penso nisso durante a conversa e lá consigo manifestar-me, 4 da manhã, tinha jantado às 8 da noite, isto, aquele-outro e o Festival Número por cima...acho que...não sei bem, ficaria feliz, contente, poderia realizar planos malucos e não sei talvez angustiada, nervosa, desconfiada...ia para Marte, não queria mais estar aqui, tanto dinheiro...

E na realidade, tal possibilidade é tão remota que não faço ideia do que lhe faria. Nos primeiros tempos sim, claro...curtia bem depois de ter tomado as primeiras e poucas medidas que se deve tomar depois de nos sair a sorte grande. Viagens, viagens, visitas a amigos, fazer outros, ver outras paragens, tirar fotos, falar com pessoas, ver novas cidades, comprar roupas e sair à noite ver espectáculos e comprar livros, música e blá, blá, blá e depois?

Das duas umas: ou o que teria visto me tinha inspirado tremendamente e as ideias tinham brotado que nem cogumelos ou simplesmente não saberia o que lhe fazer para além do curriquiero e evidente: tipo dar dinheiro à famelga, mudar algumas vidas que nos são queridas dando-lhes capital para sonhos e projectos ou uma qualquer boa acção, para lá disso que faria com a minha vida e tanto dinheiro?

Ocorrem-me duas hipóteses: ao viajar, conhecer e disfrutar teriam brotado ideias e planos visualizados ao mílimetro ou então fechava-me numa ilha deserta a escrever um testamento com as directrizes do que teria feito com tanto dinheiro, se me tivesse dedicado a ele. Fruto da angústia que este me criára, fechára-me na ilha deserta com uma casa maravilhosa e um campo de cultivo...lá se ia o dinheiro!

terça-feira

Parabéns ao meu menino!
O Meiamaquinameiamulher volta à forma inicial e manifesta o prazer que a sua medíocre e piegas autora tem em estar viva, em sentir e ver os seus a crescer, a dar os primeiros passos na vida fora da barra da saia da irmã babada e zelosa como uma galinha pelos seus.

Os meus primeiros filhos, não tivesse idade suficiente quando nasceram para perceber que sou obrigatoriamente um prolongamento dos prognitores, que tenho obrigação de cuidar e acarinhar, ralhar e passar a mão pela cabeça, aconchegar e disparatar, ser adulta e aconselhar e mais que tudo ser um porto de abrigo para os meus meninos, orgulhosa da sua prole que não o sendo directamente, de mim fazem parte, que os passos que der terão que ser equacionados a pensar também neles.

Isto tudo, a volta das voltas, para dizer que o meu menino fez anos e festejou o aniversário como os ciganos e os príncipes: dois dias de festa para fazer esquecer histórias mais tristes, para provar que o tempo passa e quando damos por ela levamo-los à discoteca, assistimos e partilhamos os primeiros amores e desamores, a redescoberta da vida pelos olhos de quem nos é importante.

Desejo que estejamos sempre unidos, mesmo que a vida nos coloque a oceanos de distância, que todas as noites sonhemos e dormamos aconchegados com as lembranças das infâncias passadas entre irmãos e irmãs e que o nosso leque de afectos e amigos se reproduza, até à eterenidade e que como uma teia de aranha se alargue a quem venha por bem e mereça a nossa fraternidade.

Ser irmão e irmã é ser amigo presente, é saber ler nos olhos felizes ou desiludidos as agruras, felicidades e travessias destes dias que chamamos vida, por vezes difíceis e ingratos e outros, tão cheios de alegria e contentamento que vem tão só da contemplação do curso do mundo.

São os primeiros companheiros, o jardim do qual cuidamos, semeamos os afectos e os hábitos pela convivência e a união, que tão depressa se cuida e mima atentamente como se dá liberdade para a natureza selvagem tomar o seu curso, para depois, docemente e com energia desbravar o que parece escuro e desenfreado e que procura a luz e o caminho, serenidade, para novamente viver ordeiramente e com jardineiro.

Vou-vos contemplar e velar os sonhos como se fosse a primeira vez que vos vi a dormir tranquilamente no berço, abrir os braços e amparar o vosso andar como amparei os vossos primeiros passos, aconhegar-vos à noite e tratar-vos como bébes, até que crescam e que possam andar comigo ao colo. Guardo-vos e levo-vos comigo para todo o lado, unidos pelo amor fraterno e pelo sabor das descobertas e partilha do aconchego e cheiro do lar.
O Maior Português de Sempre v.s O Pior Português de Sempre


Os Grandes Portugueses é um programa inútil, nacionalista e pouco patriótico, já que mais uma vez a História nos é apresentada, desta feita escudada nas personalidades, como algo distante e pouco actual, sem lugar para as transformações vividas e operadas em Portugal no Século XX e que foram bastante importantes, já que explicam em muito a actual situação do nosso atrasado e acolhedor país.

Os Grandes Portugueses deriva directamente do programa concebido no Reino Unido, pela BBC: "Great Britons". Para os ingleses o Great Briton é Winston Churchill, estadista reconhecido do Reino Unido e que faz parte da História recente do mesmo país.

Como sempre e por cá, contínuamos a falar de D. Afonso Henriques, D. Sebastião e afins. Personalidades que marcaram o que somos como sentimos e muitos caminhos tomados, mas passaram muitos anos, séculos até. Muita água passou por debaixo da ponte e já nem os próprios se devem lembrar que aqui estiveram.

No primeiro programa, da primeira fase d´Os Grandes Portugueses viu-se o quanto o povo português sabe de História e a conhece com especial incidência para as gerações mais novas: uma menina de 15 anos dizia que a Maior Portuguesa de Sempre era a Bárbara Guimarães. Ah? Como disse? Então que é feito dos artistas, pintores, escritores, cientistas, desportistas, pensadores... que puseram Portugal no mapa e são mais facilmente reconhecidos no estrangeiro que no seu próprio país e que ainda se encontram entre nós? Realmente com respostas destas mais vale ficar lá bem atrás no passado. O pessoal já teve tempo para decorar os nomes.

Portugal tem avesso a grandes conquistas e feitos actuais e próximos do momento em que vivemos, porque existe gente tão portuguesa como nós que não se deixa abater pelo espírito pessimista que nos caracteriza, que não se deixa levar pelos Velhos do Restelo do burgo e contra ventos e marés faz coisas inovadoras e utéis.

Mas não, a RTP contínua a falar dos mesmos portugueses de sempre os de 1800 e troca o passo que mal ou bem contribuiram para a nossa História.

Como retaliação o Inimigo Público e o Eixo do Mal lançaram o desafio de eleger o Pior Português de Sempre. Quem é mais responsável pela choldra onde vivemos? Para mim é o próprio Povo português, que bem ao seu estilo, mais uma vez vai cair na História da carochinha e vai votar em massa no Maior Português de Sempre, aquele que se deixa levar por grandes espectáculos televisivos como este, pelos roadshows programados para promover o programa, pelas vaidosas Marias Elisas que depois de ter estado ligada a uma cor política não se incomoda em assumir o seu lugar na RTP, ao que parece cativo e que traz na bagagem este formato british que lhe acenta tão bem.

Sim, porque este programa tem recursos técnicos dignos da televisão do Estado, estratégias de promoção que usam todos os meios e mais alguns: rádio, spots publicitários, outdoors, mupis, cartazes pequenos de transportes públicos...toda uma parafenália de promoção.

Para apresentar o programa aos meios de comunicação social foi escolhido o Padrão dos Descobrimentos, volta ao passado, onde Maria Elisa aparece acompanhada com um rapaz mascarado de descobridor ou lá o que é. Porque é que o senhor não foi transformado em António Damásio? Na Rosa Mota? Na Joana, a maestrina menina prodígio que com aproximadamente 30 anos dirige as maiores e mais conceituadas orquestras do mundo? Não sei, parece-me que tínhamos tanta gente para salientar sem ser os eternos mortos que se engradeçe por cá que mais parece que gostamos de viver no passado e que são usados para nos atirar areia para olhos: vejam como nós fomos e não pensem no que nos tornamos!

No Pior Português de Sempre com humor e bom gosto, para uns, calculo que para muitos não, ao menos poderemos identificar aqueles que com o nosso consentimento já há muito desfizeram as glórias passadas.

A meu ver, deveríamos enquanto povo olhar e enaltecer os actuais grandes portugueses, gente dinâmica que contra os ventos, marés e fados lusos acreditam que podem fazer mais e que se empenham e entregam sem demoras e receios a novas ideias, iniciativas e projectos.

Podíamos com este programa iniciar uma discussão sobre a actualidade, uma discussão profunda e baseada no acertado conhecimento e cultura que a História nos dá como se de um motor de mudança se tratasse, já que quando se fala e debate a História nos media e nos livros da escola é só para enaltecer os feitos e glórias dos eternos heróis lusitanos.

Para que cada cabeça tenha a sua sentença e/ou voto:

http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/grandesportugueses/index.php

http://piorportugues.blogspot.com/

Nasceu uma estrela do mar. Sê bem vinda Guiomar;)
Daqui mando um beijo grande para a Joana e para o Zé.
A MeiamáquinaMeiamulher não podia deixar passar em branco a vinda colorida de um baby tão especial. Que a vida te sorria!

quinta-feira

Contínuo a dar-lhe na Revolta dos Pasteís de Nata hoje dedicado inteiramente às mulheres e como não poderia deixar de ser, a plateia é composta exclusivamente por mulheres. Homens "só" o apresentador, a banda, o pessoal da produção que vai dando as caras, os gajos que fazem os momentos humorísticos e os sketchs.
Confesso que nunca vi este programa até ao fim, bocadinhos apenas, de qualquer forma, e depois de já ter visto algumas entrevistas feitas ao apresentador, contínuo sem perceber a pertinência do programa em questão. Hoje, em escassos minutos, confirmei que o rapaz é um imbecil e o programa uma inutilidade. Ao perceber qual era o tema da semana confesso que fiquei mais alerta sobre o mesmo e até vi mais do que o costume.
Vamos lá discutir a igualdade das mulheres na sociedade portuguesa, tudo a propósito da nova Lei da Paridade proposta pelo PS. Propõem-nos então, que descorramos sobre a Mulher Portuguesa e o seu papel em todos os quadrantes da respectiva vida pública. As convidadas: a actriz Maria do Céu Guerra, Teresa Caeiro, deputada do CDS e a convidada faltosa e Miss Playboy, Liliana Queiroz. Será que a mulher portuguesa está devidamente emancipada, perguntam-nos os cérebros por trás do show?
Para rir concerteza. A forma como é abordada a questão é trivial e leviana, ao tentar imprimir um ar sério e descontraído à conversa, aparece um actor a fazer de striper, o único homem a intervir. Os sketchs transmitem uma imagem preconceituosa e fácil da mulher, várias caricaturas são mostradas num Tempo de Antena fictício de responsabilidade feminina: as da pele esticada, com a Lili Caneças, a incontornável Odete Santos, que dá sempre jeito satirizar quando se fala de igualdade entre os sexos, a Merche Romero a representar as boazonas vazias...e por aí diante. Pois bem, não sei se a Merche é vazia e tonta só por ser boa, não sei se a Lili teria um movimento para defender as peles esticadas, sei é que são apresentadas as mulheres enfiadas em categorias e caixas como se uma mulher só pudesse ser ou esticada ou vazia, ou interventiva e chata, malditas feministas.
Desse bicho de sete cabeças pouco se fala no programa, como se pode falar da emancipação sem falar do feminismo e a sua importância pelo menos histórica para a emancipação da mulher? Como querem ser levados a sério quando nos apresentam as feministas como umas doidas a queimar soutians, descontextualizando totalmente o famoso episódio.

Também me incomoda, enquanto mulher e feminista, não tenho qualquer problema em assumir, que se discuta a condição da mulher apenas e só com mulheres, guetização primária do género "querem falar sobre vós e a vossa condição, então façam-no sozinhas nós deixamos".
As intervenções das convidadas não atam nem desatam, dizem-nos o que já sabemos, discordam entre si, uma a favor da lei da paridade outra contra, advinhem quem! A Liliana, essa nem vê-la, no seu lugar colocam um exemplar do livro que editou para nos ensinar a Ser Sexy, estou mesmo a ver o painel de pessoas que construiram ali: a actriz mulher de esquerda e liberal, a deputada do CDS, mais conservadora, mas que não deixa de ser mulher moderna: trabalhadora e mãe e a Liliana, a menina fútil, Miss Playboy, não há mais a dizer, a mulher objecto.
No início do programa a Ana, a colaboradora/assistente aparece bem despida e provocante, vestido vermelho colante e introduz mediocramente o passatempo promovido pelo programa, pistas para ganhar um telemóvel de última geração. Mais descrição para quê, apesar da ambição ou não de tornar esta conversa informal e descontraída, numa pseudo reflexão sobre a condição da mulher, o formato do programa em questão é machista e chauvinista, aproveita-se do tema para se auto-promover a programa irreverente e revolucionário, acabando por cair nos clichés de sempre e por revelar que quem o idealiza é machista que baste, seja mulher ou homem e que a revolta dos Pastéis de Nata é um embuste, up grade ranhoso do Muita Lôco da ida década de 90.
Esclarecid@s sobre o lugar da mulher na sociedade? Nada. Fiquei foi esclarecida quanto ao facto de estes senhores serem uns machistas, pseudo revolucionários e que produzem um produto medíocre fruto dos marketeers da revolução, sanguessugas da luta e emancipação em nome das audiências e do fast thinking.
A Revolta dos Pastéis de Nata é transmitido todas as quintas-feiras, pelas 23 horas no canal A Dois e ao contrário do que disse no post anterior, vai na 4ª temporada!

quarta-feira

Os programas para os adolescentes e jovens que foram descobertos em Portugal no inicio dos anos 90, quem não se lembra do Muita Louco ou da série Os Riscos, e que a partir daí não mais mudaram contínuam-me a intrigar.
O Clube dos Morangos é exemplo disso mesmo, depois da descoberta do formato juvenil não se mexeu mais. Os temas contínuam a ser os mesmos, e já passaram 10 anos, os apresentadores contínuam a achar que podem ser anormais para conseguirem ser cools e próximos dos mais jovens, o que piora com o facto de estes senhores não terem qualquer tipo de formação para o que se propõem, logo o programa acaba por cair na banalidade, no detorpar das questões que pretende abordar, no retracto falso da cultura juvenil e tudo mais.
Além de que, transparece a clara sensação que o programa apenas existe para preencher o horário e continuar com a saga dos Morangos com Açúcar, fazendo com que a TVI ganhe audiências e audiências.
Ao referir este programa, não me posso esquecer dos Pastéis de Nata, programa que já vai na 3ª edição dirigido ao jovem adulto. Mas aquele senhor da bóina não terá mais nada para fazer do que convidar as Bibás Pitas deste país e todos os que poderaõ não dizer nada de jeito durante uma hora. O que me admira é que muitas vezes os convidados até poderiam ter alguma para dizer, nem todos são broncos ou algo se pareça, porém as perguntas que o apresentador muitas vezes não permite que se possa demonstrar o que quer que seja.
Irrita-me e acho mal esta ideia que os programas direccionados aos adolescentes e jovens dão que tudo o que é sério deverá ser discutido de forma cómica, comicismo esse que muitas vezes é pouco inteligente e que em vez de conseguir desmontar preconceitos e ideias feitas, cria ideias perigosas e leves demais sobre temas importantes.
Tudo para ganhar audiências. Claro que o Clube dos Morangos pretende dar continuidade à carreira das centenas de actores que vai deitando cá para fora e que devem precisar como toda a gente de trabalho, os miúdos gostam e logo tá ganha a aposta. Aliás, acredito que a mente peregrina que se lembrou de produzir o Clube já foi promovido a herói pelo Tio Moniz.
Pena que mais uma vez, a televisão contríbua para a "deseducação" ddos que o vêem avidamente. As perguntas são fracas, o nível de consciência é baixo, o questionamento que a discussão deveria levantar é estéril e nada produz senão a interiorização dos modelos vigentes da sociedade.

segunda-feira

Conteúdo freak!
A Pública desta semana tem como capa o Carlos Castro conhecido como talvez o primeiro comentador português do social e numa entrevista de fundo o jornalista explica-nos porque devemos gostar da personagem. A sua vida díficil, a aventura para subir a pulso na vida e sempre de forma honesta e valorosa, de quem suou as estopinhas são as principais razões. A vinda de África e de uma cidade onde ninguém o entendia, inclusive a família, o serviço na guerra colonial tudo isto acompanhado por testemunhos e fotografias de gente conhecida da praça a dizer bem do senhor são outros argumentos esgrimidos.

De realçar o ênfase dado ao facto de Carlos Castro ser um homem culto e solitário, que tem por amigos chegados homens da cultura nacional e não só, que vive neste momento rodeado de fotografias, discos e livros.

Acho incrível como certas publicações conseguem tornar todos aqueles que retratam em ícones e isto tudo, porque o senhor faz 30 anos de carreira a favor da cusquice e comentário da vida alheia.

Admiro o facto de o senhor se ter esforçado para subir na vida e nunca se ter recusado a trabalhar, nem que fosse a lavar escadas como o próprio frisa e se não me engano, já frisou noutras alturas, acho bem que seja um homem culto e que apesar de todas as adversidades não tenho deixado de se rodear de livros e música. Também acho bem que tenha as suas fotografias e viva agarrado ao seu passado, cada um na sua. Mas daí a achar que este tenha feito alguma coisa verdadeiramente especial pela humanidade que não tenha sido viver a sua vida, discordo e que por isso, tenha direito a uma entrevista de fundo numa publicação dita de renome, também.

Quanto mais não seja porque este destaque dá-se ao facto do senhor ser um fofoqueiro profissional. É verdade que gosto de uma boa fofoca, mas não idolatro os seus profissionais porque o fazem bem ou porque foram pioneiros. Lembro-me, assim de repente, de tanta gente que teve histórias de vida bem mais interessantes que este senhor. Rompeu com preconceitos? Sofreu pressões? Foi praticamente abandonado pela família? Ok, tem toda a solidariedade do mundo, mas terá sido o primeiro ou o último a enfrentar o conservadorismo da sociedade em que vive, terá sido o primeiro ou será o último a enfrentar a resistências? Não mais que qualquer pessoa que queira levar a sua vida e vivê-la como sente e bem lhe apetece.
É retornado e fofoqueiro? Arranjo uma dúzia! O mais incrível é que este senhor diz alto e bom som que criou monstros, aliás é esta a chamada de capa, em úlitma análise é culpado pelo aparecimento da Esla Raposo e de todos esses parasitas. Não abona nada a seu favor.
Não acho que devemos apenas ouvir intelectuais ou sabichões, mas isto não passa de uma estratégia sublime, ou não, de alimentar a futilidade e o nada que povoa a imprensa e televisão cá do burgo. Se estamos nessa vamos lá até ao fim, venham os Carlos Castros da vida.
Será por ser gay? Por ter vivido no mundo alternativo/out dos homossexuais? Por estar envolvido com os travestis? Ainda pior, é assustador perceber que afinal o que é "diferente" e "foclórico", porém sem conteúdo é o que alimenta as páginas da revista.
Não tenho nada contra os gays ou coisa que o valha, e exactamente por isso é que acho atroz ver este senhor retratado como uma atracção freak. Como é gay ou coisa que o valha é lhe permitido todo e qualquer desvairo.
Pior ainda, apesar de tudo o que viveu e supostamente leu, contínua a ser conservador e preconceitoso, basta ler um parágrafo das suas crónicas semanais nas revistas.

sábado

As sextas continuam a ser de chegada,
depois do Sábado vem o Domingo de partida!
Sabor de liberdade difícil de esquecer.